Ubrabio decola na Rio+20 nas asas do bioquerosene para aviação

Com lançamento da Plataforma Brasileira do Bioquerosene, entidade estima que a utilização do biocombustível de aviação alcance 25% do volume total nos voos nacionais em duas décadas.

Rio de Janeiro – A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene – UBRABIO lançou, no dia 19 de junho, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) a Plataforma Brasileira do Bioquerosene (PBB), propondo a discussão de uma política de incentivo ao uso deste biocombustível na aviação.

“A Ubrabio, desde a sua criação, em 2007, tem agregado ao seu quadro associativo empresas da cadeia produtiva de biodiesel e, agora, de bioquerosene, incorporando pautas desses setores à sua agenda”, explica o presidente da entidade, Juan Diego Ferrés. O dirigente informa que o estatuto foi alterado para especificar novas ações, assim como incorporar o Bioquerosene ao nome da entidade”. Ferrés diz ainda que “Nos últimos dois anos, o segmento do bioquerosene vem merecendo uma atenção especial em função de uma série de fatos, que abrange desde a expansão do mercado de aviação civil à busca das autoridades aeronáuticas e empresas aéreas, por alternativas que minimizem a emissão de gases que provocam efeito estufa”, acrescenta.

“Entre as metas da International Air Transport Association (IATA) está o aprimoramento da eficiência do combustível em 1,5% ao ano na próxima década; assegurar que o crescimento da indústria seja neutro em carbono até 2020 e reduzir as emissões líquidas de CO2 em 50% até 2050 (em comparação aos níveis de 2005)”.

“O Brasil tem um grande mercado em potencial para o bioquerosene: o consumo de QAV em 2011 foi de 7 bilhões de litros. A meta da entidade é que, nos próximos 20 anos, a utilização do bioquerosene alcance 25% do total de combustível usado nos voos nacionais”, afirmou Ferrés, comemorando o sucesso da iniciativa na Rio+20. “Iniciamos uma agenda em prol da comercialização da aviação em larga escala e agora o Brasil começa a estruturar os agentes da cadeia de industrialização do bioquerosene de aviação”, destaca. “Por uma feliz coincidência essa jornada está sendo iniciada com a Rio+20. Nós desenvolvemos neste universo dois grandes combustíveis que são o bioetanol, que representa 30 bilhões de litros por ano, e o biodiesel, com 3 bilhões de litros produzidos por ano. Nós vamos trabalhar para uma produção de bioquerosene tão significativa quanto essa”.

O mercado brasileiro de bioquerosene se aproxima de 6 bilhões de litros por ano dentro de um mercado global de 250 bilhões de litros. Esses dois mercados estão esperando uma estrutura de produção que viabilize a substituição dos combustíveis fósseis e poluidores por combustíveis limpos e renováveis. Para Ferrés, as companhias aéreas têm uma vocação para dar essa contribuição para a substituição dos combustíveis fósseis para um modelo de bases renováveis e limpas. Em sua visão, esse desafio não pode ser resolvido apenas pelas companhias aéreas, porque não adianta utilizar o dobro ou o triplo a mais e querer debitar isso do passageiro.

A Plataforma Brasileira do Bioquerosene (PBB) foi lançada, durante o primeiro voo da Gol – Linhas Aéreas Inteligentes, abastecido com bioquerosene, no dia 19 de junho, que saiu de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro com autoridades brasileiras e internacionais do setor de aviação, empresários e dirigentes da Ubrabio. Durante coletiva de imprensa, no Aeroporto Santos Dumont, o secretário geral da International Civil Aviation Organization (ICAO), Raymond Benjamin – que completou uma viagem de Montreal, no Canadá, ao Rio de Janeiro utilizando combustíveis alternativos – disse que a ação teve o objetivo de mostrar que é possível realizar voos globais com combustíveis alternativos. Benjamin afirmou que os quatro voos – Montreal – Toronto – Cidade do México – São Paulo – Rio de Janeiro – proporcionaram uma economia de 20% ou 45 toneladas de CO2. “O custo dos combustíveis é um fator importante, porque pode variar de 5 a 8 vezes o valor dos combustíveis convencionais. Temos que encontrar formas alternativas para reduzir os custos dos biocombustíveis e o governo tem um papel importante”, disse.

Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, destacou a importância da iniciativa para o desenvolvimento sustentável. “É a celebração do encontro de um dos meios de transporte mais modernos e tecnologicamente mais avançados, que é o transporte aéreo, com o meio ambiente, e ainda o biocombustível, que é também o que há de mais avançado do ponto de vista ambiental. Então, que este lançamento aconteça no Brasil e no momento em que acontece a Rio+20 é muito simbólico e reflete aquilo que o país espera para o futuro”, disse. “A capacidade dos nossos empresários e dos órgãos regulatórios sinalizam um futuro promissor”, destacou.

O ministro Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil, disse que a cadeia de biocombustíveis brasileira é “competitiva” e salientou a necessidade de buscar sinergias entre empresas e pesquisadores. “O trabalho em parceria é fundamental para aproveitar as expertises”, disse o ministro.

Durante a Rio+20, a Ubrabio lançou também uma campanha para o uso da mistura de 20% de biodiesel adicionada ao diesel fóssil em transportes urbanos, o B20 Metropolitano. A iniciativa ocorreu durante o seminário da Global Bioenergy Partnership (GBEP), fórum que contribui para a elaboração de políticas públicas para a bioenergia, e contou com o apoio das associadas à entidade, B100 e Camera Agroalimentos. No evento a Mercedes Benz anunciou a garantia para a utilização do biodiesel em motores da marca.

Ubrabio -Criada em 2007, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) congrega as empresas que integram a cadeia de produção e comercialização do biodiesel e bioquerosene no Brasil. Sediada em Brasília, a entidade contribui para o aprimoramento de políticas e estratégias relacionadas ao Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Entre os associados destacam-se os produtores de biodiesel e insumos, fornecedores de equipamentos e as empresas de tecnologia e serviços ligados ao setor. A Ubrabio trabalha pelo desenvolvimento de novas cadeias produtivas de matérias-primas, assim como pelo fortalecimento da agricultura familiar. A entidade promove e participa de eventos e fóruns de discussão sobre biocombustíveis, buscando disseminar e incentivar o uso de biocombustíveis. Além do fomento a pesquisa e desenvolvimento do setor de combustíveis verdes, a Ubrabio busca soluções ambientalmente sustentáveis para a matriz energética brasileira.

Fonte: Revista Fator

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