Turismo contamina geleiras na Cordilheira do Himalaia

Entre junho e agosto, peregrinos hindus completam a Amarnath Yatra, uma árdua viagem a uma caverna sagrada no alto da geleiras do Himalaia, perto da fronteira com o Paquistão. Nos últimos cinco anos, o número de pessoas que cumprem esta janela praticamente dobrou — em 2011, foram quase 650 mil. E o tráfego intenso está ameaçando o frágil ecossistema, a principal fonte de água do Rio Indus. Cientistas lutam para proteger o local, de grande relevância para a religião hindu.

Em outras épocas do ano, aumentou também o número de visitantes alheios aos motivos religiosos. Dezenas de milhares de turistas optam por meios menos extenuantes, porém mais poluentes, de se chegar à caverna. Há pelo menos 300 helicópteros na região oferecendo voos por US$ 200.

Mais visitantes, mais lixo e contaminação. Outrora cobertas por neve, as montanhas ao longo da trilha estão negras com as pilhas de lixos, garrafas de água, cilindros de gás, fezes humanas e, ocasionalmente, carcaças de cavalos. O tráfego crescente preocupa Shakil Romshoo, pesquisador da Universidade Kashmir:

— Com o número cada vez maior de pessoas e os voos de helicóptero, a temperatura local aumenta, o que encoraja o derretimento da neve.

Mais de um bilhão de pessoas dependem da água das geleiras do Himalaia, que alimenta diversos rios. O Indus é base de 90% da agricultura paquistanesa.

Fonte: O Globo

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