Procure o selo

A escolha de um carro é uma decisão ainda mais delicada. Como saber qual a marca e o modelo mais adequados à sua necessidade – e ao seu bolso? Etiquetas e certificações são um bom guia, que poucos consultam. “O consumidor precisa ser educado a prestar atenção no que vem escrito nas embalagens e etiquetas”, diz Paulo Arthur Góes, diretor executivo do Procon São Paulo. “E as empresas precisam aprender a passar a informação de maneira mais clara.” O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) classifica produtos com selos e certificações que ajudam o consumidor a fazer compras mais bem informado. Conheça alguns deles.

DIFERENÇA NA BOMBA
Da próxima vez que for comprar um carro, procure a etiqueta do Inmetro. Parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), ela traz informações sobre o consumo de combustível. A partir de 2013, classificará os carros também segundo a emissão de CO2 – será, portanto, um indicador tanto econômico quanto ecológico. Não é um item obrigatório: as empresas escolhem ou não participar do programa, mas quem participa tem descontos de imposto. Com exceção da GM, todas as grandes montadoras aderiram à etiqueta, e boa parte das importadoras também. O consumo é classificado em categorias: compacto, médio, grande etc. Dentro de cada categoria, os mais econômicos recebem a letra A, e os que “bebem” mais combustível, a letra E. Há ainda informações sobre a quilometragem média na cidade ou na estrada, com gasolina ou álcool. Dependendo da categoria, a diferença de consumo entre os automóveis de letra A e os de letra E pode chegar a mais de 1 000 reais em um ano.

PARA RODAR MELHOR
Um pneu que ofereça menos resistência ao rolamento – ou, em termos menos técnicos, que deslize melhor sobre a estrada – pode significar a economia de 1 litro de gasolina a cada 100 quilômetros rodados. Em um ano, percorrendo 10 000 quilômetros, é possível economizar 100 litros de gasolina, ou quase dois tanques. Em 2013, começam a chegar ao mercado os pneus de automóvel com a etiqueta do Inmetro que dá notas de A a G segundo o índice de resistência. Recebem a classificação A os que têm melhor performance. A etiqueta classifica de A a G também a capacidade de frenagem em chão molhado e a emissão de ruídos.

CONTA DE LUZ MENOR
Buscando reduzir o consumo de energia no Brasil, o PBE inclui 38 programas de avaliação de conformidade. Alguns itens, como refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, são avaliados há mais de vinte anos. Outros, como os televisores, começaram a ser avaliados há pouco. O consumo de energia é classificado de A a D – como sempre, A é o mais econômico.

CHEGA DE BARULHO!
Se você não quer ter em casa aquele eletrodoméstico que impede qualquer conversação ao redor quando ligado, vale a pena prestar atenção ao Selo Ruído, uma parceria do Inmetro com o Ibama. Obrigatório desde 1994, ele informa o nível de barulho de liquidificadores, aspiradores de pó e secadores de cabelo, em decibéis. Para facilitar a leitura da informação pelo consumidor, a partir do fim do ano começam a chegar ao mercado aparelhos categorizados de A a E. Os mais silenciosos terão a letra A.

GASTA MENOS, DURA MAIS
Ao contrário dos selos, as certificações não são classificatórias:
 o produto ou é aprovado ou reprovado. Boa parte das certificações do Inmetro é obrigatória: só chegam ao mercado os produtos aprovados. Esse é o caso, sobretudo, de itens que, se defeituosos, podem trazer riscos à segurança, como fogões a gás e freios de carros. Mas existe também um programa de certificações voluntárias. As empresas dos setores avaliados decidem se querem ou não certificar seus produtos. Vale a pena saber se o artigo conta com essa aprovação, pois ela é uma garantia a mais de qualidade. Computadores, impressoras e outros equipamentos de informática, por exemplo, precisam ter bom desempenho energético e durabilidade para ganhar a certificação.

Outras fontes consultadas: Inmetro, Idec e Lanxess

MARCAS DO BEM
Muitos consumidores procuram não só eficiência e segurança, mas também produtos que se enquadrem na correção política e ecológica. Os selos abaixo distinguem as empresas que têm boas práticas ambientais e sociais.

Madeira de lei
A certificação florestal FSC (Forest Stewardship Council, em inglês) garante que a madeira usada para fabricar móveis, papel e outros itens foi produzida de forma ecologicamente correta. O material vem, portanto, de florestas com um plano de manejo que contemple os interesses das populações locais e que minimize danos à flora e à fauna. No Brasil, o selo FSC é conferido pelo WWF (World Wildlife Fund).

Contra o trabalho infantil
O selo Amigo da Criança é conferido pela Fundação Abrinq a empresas que promovem ações sociais em favor de crianças e adolescentes. O primeiro compromisso dos contemplados é não explorar o trabalho infantil. O segundo é não manter nenhum tipo de relação comercial com empresas que o façam.

Comércio Justo
A associação Fairtrade International dá um selo aos produtores que atendam a seus critérios de comércio justo. Conferido principalmente a produtos agrícolas, é um mecanismo de incentivo e divulgação do trabalho de associações que assegurem a justa remuneração a pequenos produtores de comunidades carentes.

O CERTIFICADO POP
Empresas de diferentes setores alardeiam seus certificados ISO na publicidade. Mas será que o fato de uma empresa levar a marca da ISO garante a qualidade de seus produtos? Depende. A ISO, ou International Organization for Standardization, organização internacional sem fins lucrativos, criou vários conjuntos de padrões, nomeados com números: ISO 9001 (gestão da qualidade), ISO 14001 (gestão ambiental), ISO 27001 (gestão da segurança da informação). Muitos dizem respeito ao modo de operação das fábricas e não têm nenhuma consequência sobre a qualidade final dos produtos. Os mais procurados pelas empresas brasileiras são o ISO 9001 e o ISO 14001, segundo Guy Ladvocat, gerente de certificação de sistemas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), instituição responsável por estabelecer as normas ISO no Brasil. Veja o que eles significam de fato.

ISO 9001
Este certificado é dado à empresa, não a seus produtos. Os requisitos para obtê-lo são ligados à gestão geral da qualidade. São analisados, por exemplo, o setor de controle de qualidade propriamente dito, processos que garantam a estabilidade do padrão e mecanismos para a correção de erros. Por consequência, empresas com certificado ISO 9001 em geral oferecem produtos de qualidade.

ISO 14001
Interessa principalmente ao consumidor preocupado com ecologia. Vale muito no mercado europeu. Para obtê-lo, uma empresa tem de demonstrar que causa o mínimo impacto ambiental possível. Deve, por exemplo, tratar seus dejetos antes de despejá-los nos rios.

Fonte: Planeta Sustentável

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