Organizações lançam protocolo de emissões em escala comunitária

Governos locais de diversas cidades do mundo divulgaram nesta segunda-feira (14) o Protocolo Global para Emissões de Gases do Efeito Estufa em Nível Comunitário (GPC), um programa piloto que pretende auxiliar na mensuração, reporte e redução das emissões de carbono de cidades por todo o mundo.

O documento, divulgado durante um evento paralelo ao encontro climático em Bonn, na Alemanha, foi desenvolvido pelo Grupo das Grandes Cidades para Liderança Climática (C40), Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI) e Instituto de Recursos Mundiais (WRI) e seu projeto piloto será incorporado por mais de 30 cidades, entre elas Buenos Aires, Cidade do México, Paris, Portland e Taipei.

Atualmente, já existem alguns mecanismos para a mensuração e o reporte de emissões de cidades, mas estes não são padronizados, o que causa uma falta de comunicação entre os desenvolvedores e aplicadores de tais ferramentas.

“Embora muitas cidades tenham concluído um inventário de gases do efeito estufa (GEEs) e estabelecido metas de redução, não há atualmente orientação global consistente para conduzir um inventário em nível municipal”, colocaram os grupos na introdução do protocolo.

“Os inventários inconsistentes resultantes não podem ser facilmente transmitidos entre governos locais, sub-nacionais e nacionais, instituições financeiras e o setor privado. A falta de abordagem comum evita a comparação entre cidades ao longo do tempo, e reduz a capacidade das cidades de demonstrar o impacto global das ações locais coletivas”, acrescentaram os grupos.

De acordo com os desenvolvedores do protocolo, o GPC ajudará cidades por todo o mundo a mensurarem e reportarem melhor suas emissões de GEEs através do estabelecimento de um padrão globalizado para tal.

O documento foi criado a partir de práticas estabelecidas previamente em padrões como o Protocolo Internacional de Governos Locais para Análise de Emissões de GEEs e o Padrão Internacional para Determinar as Emissões de GEEs para Cidades, que serão substituídos pelo protocolo atual. Em março, uma versão rascunho foi lançada para consulta e comentários públicos.

O documento atual tem três componentes principais: um quadro político e princípios orientadores para ligar os esforços entre governos locais e nacionais e o setor privado; o Padrão para Contagem e Reporte de 2012 com um guia suplementar de metodologias e modelos de relatórios; e um roteiro para institucionalizar o processo para atualizar o padrão em uma base contínua.

Isso simplificará o processo, permitindo que as cidades tornem essa abordagem comum mais acessível e ajudando os governos locais a acelerarem suas atividades de redução de emissões, além de cumprir as necessidades de financiamento climático, monitoramento nacional e requerimentos de reporte. O GPC se integra perfeitamente com metodologias de contagem de GEEs nacionais e corporativas, facilitando as ligações entre entidades para melhorar a coordenação para reduzir as emissões de GEEs.

“O lançamento de um protocolo piloto em nível comunitário nos leva a caminho de uma abordagem comum e necessária para contabilizar as emissões de gases do efeito estufa nas cidades, grandes condutoras das emissões globais”, observou Manish Bapna, presidente interino do WRI.

“Com o protocolo comunitário, as ações climáticas locais estão entrando em uma nova fase de contagem e reporte de GEEs globalmente harmonizados. As cidades continuarão liderando o caminho para construir comunidades de baixo carbono e sustentáveis pelo mundo todo”, concordou Konrad Otto-Zimmermann, secretário-geral do ICLEI.

“A implementação do protocolo fortalecerá os esforços para ações climáticas locais mensuráveis, reportáveis e verificáveis. Melhorará o acesso dos governos locais aos fundos climáticos globais e ajudará as cidades a aumentar o nível de ambição dos governos nacionais para mitigar as mudanças climáticas. O protocolo complementa e avança mais de duas décadas de esforços em ações climáticas globais”, completou Otto-Zimmermann

Após a implementação dos projetos piloto, os grupos desenvolverão a primeira versão do protocolo permanente, que será publicada no final deste ano. “Procuramos aprofundar nossa colaboração à medida que aproveitamos nossa experiência coletiva para desenvolver um protocolo compreensivo para cidades e comunidades”, concluiu Bapna.

* Publicado originalmente no CarbonoBasil.

Fonte: Envolverde

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