Oceanos estão ficando mais ácidos numa velocidade sem precedentes

A emissão de gases do efeito estufa pelos homens pode estar tornando os oceanos mais ácidos numa velocidade não vista nos últimos 300 milhões de anos. A rapidez desta mudança significa que não é possível saber quão graves serão as consequências deste processo, informa estudo publicado na “Science”.

Com o aquecimento do planeta, o dióxido de carbono escoa para os oceanos e forma ácido carbônico. Como resultado, a água se torna mais ácida. O pH está caindo cerca de 0,1 a cada século. Essa acidificação do oceano atinge organismos como corais que dependem do carbonato dissolvido para fazer suas conchas. Isso também altera o comportamento de alguns animais.

Bärbel Hönisch, da Universidade de Columbia, em Palisades, Nova York, e seus colegas usaram o registro químico preservado em pedras para avaliar os eventos anteriores à acidificação do oceano.

O melhor marcador para as atuais mudanças foi o máximo termal do Paleoceno-Eoceno de 55 milhões de anos atrás, quando uma vasta quantidade de metano era liberada na atmosfera causando um rápido aquecimento global, acidificação do oceano e extinção em massa. Mas mesmo naquela época, levou ao menos 300 anos para o pH do oceano cair em 0,5.

– Esta é uma ordem de magnitude mais lenta que a de hoje – diz Hönisch.

O período de 300 milhões de anos que Hönisch e seus colegas estudaram inclui a maior extinção de todas: a extinção do Permiano. Este evento, há 252 milhões de anos, dizimou até 96% das espécies marinhas. Mas este processo provavelmente também teve outras causas.

A acidificação não é a única ameaça para os oceanos a partir de gases de efeito estufa, diz Nicolas Gruber, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. A vida marinha também enfrenta ameaça do aumento da temperatura das águas e de menos oxigênio dissolvido.

– Temos que pensar na coocorrência destes efeitos – diz Gruber. – Enquanto temos informação sobre as consequências de cada fator separadamente, não temos nenhuma ideia de qual será o efeito combinado.

Fonte: O Globo

ACIDIFICAÇÃO DOS oceanos está ocorrendo numa velocidade nunca vista

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