Noruega pede que Brasil e Indonésia mantenham proteção florestal

O ministro de Meio Ambiente da Noruega incitou o Brasil e a Indonésia a evitarem retroagir nas políticas que protegem as florestas tropicais, dizendo que até US$ 2 bilhões prometidos por Oslo dependem da comprovação que as taxas de desmatamento estão caindo.

O país, rico em petróleo e gás, prometeu mais dinheiro do que qualquer outro doador para reduzir o corte da floresta tropical desde a Amazônia até o Congo.

A Noruega não está conseguindo alcançar metas de corte de emissões de gases do efeito estufa, e o ministro Baard Vegar Solhjell disse que acompanhará de perto o debate no Brasil, que pode interromper o que ele chamou de uma “história de grande sucesso” na redução do desmatamento.

Oslo prometeu até US$ 1 bilhão para ambos, Brasil e Indonésia, que são os principais beneficiários de uma iniciativa florestal equivalente a três bilhões de coroas norueguesas (US$ 514,5 milhões) ao ano para ajudar no combate ao aquecimento global.

“É importante que eles (Brasil) sigam políticas que signifiquem que continuam a cortar o desmatamento no futuro”, disse o ministro à Reuters na sexta-feira. “Estamos pagando por resultados reais”.

Em maio, a presidente Dilma Roussef vetou elementos de uma nova legislação aprovada no Congresso que diminuiria a quantidade de florestas que os proprietários rurais precisam conservar em suas terras. “Não sabemos o que vai acontecer” após o veto, comentou Solhjell.

Outras políticas têm perdido fôlego sob a administração Roussef, como a criação de novas áreas protegidas.

A Noruega transferiu pouco menos de US$ 100 milhões para projetos no Brasil de um total de US$ 425 milhões reservados para o país entre 2008 e 2011, comentou. O restante ainda será designado a novos projetos.

Dos quase US$ 1 bilhão prometidos ao Brasil, até US$ 575 milhões ainda precisam ser reservados. Porém, o enfraquecimento da proteção florestal significaria um pagamento menor, comentou Solhjell.

Grande avanço

Ele comentou que a Indonésia tem evoluído muito com a moratória sobre o desmatamento estabelecida em 2011 como parte de um acordo com a Noruega, apesar de muitas denuncias que o desmatamento ilegal continua.

“Eles (Indonésia) precisam avançar desta fase inicial para uma fase de reduções de fato” no desmatamento, pontuou. “Recursos maiores serão conectados a resultados reais”. A Noruega ajuda cerca de 40 países a proteger suas florestas.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mundo perdeu 5,2 milhões de hectares de florestas ao ano entre 2000 e 2010, totalizando uma área equivalente à Costa Rica. Na década de 1990 a média era de 8,3 milhões ao ano.

Taxas menores de desmatamento no Brasil e Indonésia e plantios na China, Índia e outros países ajudaram a interromper este ciclo, comentou o ministro. A Noruega estima que 17% das emissões antrópicas de dióxido de carbono são causadas pelo desmatamento.

Alguns ambientalistas argumentam que a Noruega está mal posicionada para dar lições a outros países sobre políticas ambientais já que não consegue cumprir suas próprias.

Solhjell disse que seu país não estava conseguindo cumprir os planos domésticos de corte nas emissões. Ele ainda comentou que seria impossível até mesmo dizer se as emissões do país chegaram no pico.

“Meu amigo, um historiador, diria que é mais fácil falar do passado do que do futuro”, lamentou.

Em 2011, as emissões estavam 5,6% acima dos níveis de 1990 em 52,7 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono – até agora o ano mais alto foi 2007, com 55,5 milhões. A Noruega é o oitavo maior exportador de petróleo do mundo e segundo de gás por dutos.

O país reservou 2 bilhões de  coroas para comprar permissões de emissão sob o Protocolo de Quioto, o acordo das Nações Unidas para lidar com as mudanças climáticas, visando cumprir a meta auto-estipulada de corte das emissões em 9% abaixo dos níveis de 1990 no período 2008-2012.

Segundo o ministro, seu país planeja medidas extras, como taxas maiores sobre o carbono para o setor de petróleo e gás, para alcançar a meta de corte de 30% nas emissões abaixo do nível de 1990 até 2020, mais ambicioso do que praticamente qualquer outro país desenvolvido.

 ($1 = 5.8280 coroar norueguesas)

Traduzido por Fernanda B. Muller
Leia o original (inglês)

Fonte: Reuters

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