Mudança climática levada a sério

Para muitas pessoas, o maior problema em relação à mudança climática tem sido o fracasso da regulação e da vontade política. Elas dizem que tudo seria melhor se as imposições do Protocolo de Kyoto fossem mais amplas, se a regulamentação fosse mais rígida ou se mais dinheiro fosse investido em energias renováveis. Caso isso tivesse acontecido, talvez o mundo tivesse sido capaz de amenizar o aumentos das temperaturas e o público não teria se tornado tão cético em relação à mudança climática.

Não é bem assim, afirma Dieter Helm da Universidade Oxford autor do livro The Carbon Crunch: How We’re Getting Climate Change Wrong—and How to Fix It, publicado pela Yale University Press. O problema não acontece devido a falhas de regulações, mas sim devido ao seu projeto inicial. Elas fizeram com que as pessoas se concentrassem nos modos mais caros de mitigar a mudança climática, ao invés de se voltarem para os métodos mais baratos, impondo altos custos para benefícios pequenos. Ademais, ao se concentrar em sua própria produção de carbono, e em métodos para reduzi-la, os Europeus ignoraram o impacto de sua demanda por bens que usam métodos que geram muito carbono. A abordagem regulatória, afirma Helm, gerou o pior dos mundos. Ela é cara, não reduziu as emissões e seus tratados não são funcionais. Não surpreende que o público tenha se tornado cada vez mais cético.

O fulcro do livro de Helm é um exame dos mecanismos econômicos da energia renovável. Considere-se os campos eólicos. Os geradores eólicos são caros, mas esta é apenas parte do problema. Eles também são intermitentes. Apesar dos argumentos dos apoiadores, a oferta de energia eólica é inconstante e não dá segurança de fornecimento à matriz energética do país.

Ativistas ambientais, políticos e ONGs vão detestar esse livro, mas Helm prestou um serviço a todo o mundo ao prescrever um regime de mitigação de mudança climática global economicamente sério. O primeiro passo seria escolher o modo mais barato (não o mais querido) de reduzir as emissões de carbono, isto é, gás, especialmente o abundante gás de xisto. O segundo seria introduzir um imposto sobre carbono, em vez (como agora) de um preço sobre as emissões. Esses dois métodos soam quase iguais, mas são modos diferentes de incorporar o custo real do carbono necessário para a fabricação de um produto. Em terceiro lugar, Helm argumenta, parte do dinheiro que atualmente é dedicado a energias renováveis seria mais bem gasto em tecnologias limpas futuras, tal como captura de carbono, armazenamento de energia e veículos elétricos.

Fonte: Opinião e Notícia

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