Motor a álcool pode ser mais eficiente que o a gasolina

Especialistas dizem que enquanto as tecnologias destinadas a melhorar a eficiência dos motores movidos à gasolina no Brasil evoluíram muito, as para os motores a etanol estão “em ponto morto” e até deram “marcha à ré” nos últimos anos.

“Não estamos fazendo o que deve ser feito com o álcool, que tem potencial para ter uma eficiência maior do que a gasolina, mas que está menor porque quem adapta os motores não está tomando os cuidados adequados”, afirma o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador na área de combustíveis alternativos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), Francisco Nigro.

A avaliação foi feita por pesquisadores nacionais e internacionais que participaram do Workshop Internacional sobre Aplicações do Etanol para Motores Automotivos, realizado na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito do programa de pesquisa em bioenergia.

Durante o evento foi avaliado o estágio atual das pesquisas no Brasil e no mundo sobre motores de combustão interna – especialmente os que utilizam biocombustíveis como o etanol -, e identificar desafios em ciência básica, aplicada e em engenharia relacionados à área que possam ser tratados no âmbito do programa.

Lançado em 2008, de acordo com a Agência Fapesp, o Bioen tem cinco divisões: Biomassa para Bioenergia (com foco em cana), Processo de Fabricação de Biocombustíveis, Biorrefinarias e Alcoolquímica, Aplicações do Etanol para Motores Automotivos: motores de combustão interna e células a combustível e Pesquisa sobre sustentabilidade e impactos socioeconômicos, ambientais e de uso da terra.

“Estamos produzindo veículos flex que, quando operam com etanol, têm eficiência menor do que quando movidos a gasolina. É fundamental aumentar o conhecimento de engenharia e desenvolvimento de calibração de motores a etanol porque as novas políticas públicas para diminuir as emissões de CO2 pelos automóveis devem aumentar a pressão sobre o etanol”, diz Nigro.

O novo regime automotivo que acaba de ser anunciado pelo governo dará incentivos fiscais para montadoras com fábricas instaladas no País que investirem em tecnologia para a produção de veículos mais seguros, mais eficientes e menos poluentes.

As empresas mais beneficiadas terão de chegar a 2017 produzindo automóveis com desempenho de 17,26 quilômetros por litro de gasolina e de 11,96 quilômetros de etanol, a exemplo das metas fixadas por outros países, como os da Europa. Hoje, a média de consumo de um veículo típico brasileiro é de 14 quilômetros por litro de gasolina e 9,7 quilômetros por litro de etanol.

“Com essa nova legislação, a tendência é que as montadoras instaladas no País, que são multinacionais, tragam para cá o que há de mais sofisticado em termos de tecnologias para melhorar a eficiência da gasolina, como injeção direta e motores menores com turbo”, avalia Nigro.

“Provavelmente, isso deve aumentar a diferença na eficácia entre a gasolina e o etanol no Brasil, porque os veículos são desenvolvidos em nível mundial para utilizar gasolina, e também terão de ser bem desenvolvidos para o álcool aqui no País. Isso deve estimular o desenvolvimento de tecnologias para aumentar a eficiência do etanol”, aponta.

Fonte: Terra

Motor a álcool pode ser mais eficiente que o a gasolina

Motor a álcool pode ser mais eficiente que o a gasolina

Print Friendly, PDF & Email