Impacto econômico da queda do carbono é minimizado diante da alta do petróleo

As baixas recordes nos preços do carbono estão desencadeando apreensão quanto aos esforços de redução das emissões, porém o valor alto do petróleo continua sendo uma ameaça muito maior para o crescimento econômico global, disse o HSBC em uma nota divulgada na última quinta-feira.

“Deveríamos estar muito mais preocupados com os efeitos destrutivos dos picos no preço do petróleo sobre o crescimento em comparação com o preço deprimido e ainda modesto do carbono”, comentou o analista.

O preço atual do petróleo é equivalente a um valor inimaginável de € 153 para o carbono, 17 vezes maior que o valor atual das permissões de emissão da União Europeia, disse o HSBC.

“Esclarecendo, o preço atual de € 8,6/tonelada no EU ETS, se aplicado ao longo de toda economia, teria um impacto macroeconômico comparativo de um aumento do petróleo em apenas € 3,3 por barril”, ressaltou.

Na quinta-feira, as permissões de emissão futuras estavam sendo negociadas em torno de € 8,7/t, enquanto os contratos futuros de petróleo Brent estavam em US$ 125 o barril.

O valor do Brent está em alta de 57% em relação aos últimos dois anos, alcançando os patamares mais elevados da sua história, tanto em euros quanto em libras, devido aos temores no lado da oferta vinda da Líbia e Irã, aumento do consumo por mercados emergentes e impacto da restrição quantitativa.

As preocupações em torno da zona do euro e a oferta em excesso de permissões de emissão têm ajudado a deprimir o preço do carbono no EU ETS em 37% ao longo do mesmo período.

Mesmo assim, os analistas do HSBC alertam que preços altos do petróleo representam um obstáculo crescente à economia.

Com o valor atual, os gastos da UE em 2012 com petróleo bruto aumentariam de 3,4% (em 2008) para 3,8% do PIB, enquanto os gastos norte-americanos subiriam de 4,8% para 5,4%.

Além disso, preços altos do petróleo oferecem uma ajuda limitada para a redução das emissões de carbono, argumentam os analistas, estimando que um aumento de 10% no valor reduziria emissões em apenas 0,2% até 2030.

Pelo contrário, medidas de eficiência energética reduziriam o uso do petróleo e as emissões, economizando € 5,6 trilhões até 2035, estimam os analistas.

Medidas para o transporte também poderiam contribuir. Padrões mais rígidos para eficiência dos combustíveis, uma reforma na taxação de automóveis e combustíveis em favor da eficiência e a substituição por veículos elétricos e redes ferroviárias são medidas que ajudariam.

Traduzido por Fernanda B. Muller – Leia o original (inglês)

Autor: Nina Chestney   –   Fonte: Reuters – Disponível em: Instituto Carbono Brasil

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