Homem já interferia no clima há 3.500 anos

A interferência do homem no clima da Terra pode ser bem anterior à Revolução Industrial do século XVIII. Segundo uma pesquisa publicada no site da revista Science, o surgimento das savanas na África, entre 3.500 e 4.000 anos atrás, coincidiu com o início da exploração da agricultura no local. A análise de sedimentos no fundo do Rio Congo, um dos maiores do continente, permitiu concluir que a região passou por mudanças climáticas abruptas.

Não há dúvida quanto a relação entre a queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, e mudanças climáticas. Mas o desmatamento é a segunda causa global de liberação de gases que causam o efeito estufa na atmosfera. E foi isso que o povo Bantu, uma das mais antigas etnias africanas, fez no vale do rio Congo. Eles desmataram áreas de florestas tropicais para plantar palmeiras, milheto e inhame, culturas que demandam muita luz do sol. As análises do leito do rio mostram que houve um aumento significativo no depósito de sedimentos na época do advento da agricultura no local.

Os bantus também cortaram árvores para a produção de carvão vegetal, com o qual se mantinham aquecidos, cozinhavam e produziam armas e outros artigos de metal. “Os resultados sugerem que a intensificação do uso da terra pelos humanos teve um impacto significante na floresta tropical já naquela época”, escrevem os autores do estudo, todos da Unidade de Pesquisas em Geociência Marinha de Plouzané, na França.

De quente é úmido, como o da Amazônia brasileira, o clima se tornou sazonal na África central, com uma estação seca e outra chuvosa. No curso do rio Congo, a floresta tropical sobreviveu, mas savanas e desertos se formaram nas proximidades e comprometeram vários de seus afluentes. Hoje, as florestas que sobraram no centro da África continuam ameaçadas pela ação do homem, por meio da agricultura e da mineração, além do avanço dos desertos.

Fonte: Planeta Sustentável

Primeiros agricultores da África já desmatavam floresta tropical, o que pode ter ajudado no surgimento das savanas, afirma estudo francês
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