Governo pode gastar mais de R$ 200 milhões com a segurança da Rio+20

Orçamento geral do encontro é estimado em R$ 430 milhões, diz secretário.

O governo federal pretende investir até R$ 230 milhões na segurança dos participantes da conferência Rio+20, cúpula sobre desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) que vai acontecer de 13 a 22 de junho em vários locais do Rio de Janeiro.

O encontro, que tem orçamento previsto em R$ 430 milhões, deve reunir ao menos uma centena de chefes de estado, segundo o Itamaraty, 50 mil pessoas credenciadas pela ONU como diplomatas, negociadores e imprensa, e um incontável número de participantes que integram ONGs e outras representações da sociedade civil.

O encontro principal, denominado Segmento de Alto Nível da conferência, vai acontecer no Rio Centro. Outras instalações como o Autódromo de Jacarepaguá, a Arena da Barra da Tijuca, o Parque dos Atletas, o Aterro do Flamengo e Píer Mauá também abrigarão eventos paralelos à conferência, como exposições e debates.

Segundo Laudemar Aguiar, secretário-geral do Comitê Nacional de organização da Rio+20, o alto investimento será necessário já que o item segurança é considerado “crucial” em um encontro deste porte. “Em junho deste ano, o Rio de Janeiro será área das Nações Unidas e a primeira condição para realizar o encontro no país é o comprometimento com a integridade dos participantes. É como se a sede da ONU, em Nova York, fosse transplantada para o Brasil”, disse Laudemar.

De acordo com Aguiar, que é diplomata do Ministério das Relações Exteriores, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Ministério da Defesa estarão envolvidos na proteção dos participantes da cúpula da ONU, garantindo ainda a segurança cibernética do evento. Além disso, ele citou que licitações para a escolha de empresas especializadas que prestarão serviço neste setor durante a conferência estão em fase final de realização. “Todo o dinheiro investido será demonstrado posteriormente”, explica.

Logística
Responsável também por organizar a parte logística, Aguiar diz que que o governo brasileiro, juntamente com o estado do Rio de Janeiro e a prefeitura da capital fluminense, trabalham na organização do transporte dos participantes da Rio+20.

“Já estamos vendo rotas e uma utilização conjunta da modalidade de transportes para o encontro, sem prejudicar o funcionamento da cidade”, disse o diplomata.

Aguiar comentou que aguarda a manifestação de interesse das entidades da sociedade civil para preparar os locais onde serão montados pavilhões provisórios que abrigarão estandes e conferências paralelas.

“No fim de janeiro vamos divulgar a Rio+20 no Fórum Social Mundial (que vai acontecer de 23 a 28 de janeiro, em Porto Alegre. A ideia do governo brasileiro é de uma conferência participativa, com uma conectividade que vai aproximar os participantes”, explica.

Organização
De acordo com a organização da conferência da ONU, o encontro estará dividido em três fases. De 13 a 15 de junho está prevista a 3ª Reunião do Comitê Preparatório, que deverá acertar os últimos detalhes da negociação diplomática baseada nos três pilares do desenvolvimento sustentável (o econômico, o social e o ambiental).

De 16 a 19 de junho serão programados eventos com a sociedade civil e de 20 a 22 do mesmo mês acontece o encontro com a presença dos chefes de estado. A conferência que o Rio de Janeiro sediará é de uma modalidade de “uma por geração”, realizada a cada 20 anos. Portanto, deve definir objetivos políticos mais amplos.

Na última quarta-feira (11), foi divulgado o primeiro rascunho do texto-base que vai pautar o encontro.

Denominado “Draft Zero” (Rascunho Zero, na tradução do inglês), o material de 19 páginas convoca os países a criar soluções para erradicar a pobreza no mundo, reduzir o impacto na biodiversidade, além de resolver questões diplomáticas como a criação de uma “agência ambiental” independente, que seria sediada no Quênia.

O documento, que poderá ser modificado até o início da conferência, afirma que entre 2012 e 2015, as nações terão que criar metas para se chegar a uma economia verde, colocadas em prática em três anos e consolidadas até 2030. Apesar do apelo, organizações ambientais consideram o texto pouco ambicioso, principalmente nas questões sobre mudança climática.

Fonte: G1

 

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