Fazer além da lei

Empresas que investem no tratamento de seus efluentes e economizam água tratada ainda não recebem incentivos, mesmo assim os ganhos superam em muito os investimentos.

Um prédio totalmente envidraçado, que permite o aproveitamento da luz do Sol, amplos jardins que atraem dezenas de passarinhos e um grande aquário com peixes de espécies amazônicas, que nadam em água de reúso tratada no próprio local. Dificilmente esta seria a descrição imaginada para a sede de uma empresa de consultoria que atua na área financeira. Mas esses são apenas alguns itens que podem ser percebidos em um passeio pela sede da Serasa, maior instituição brasileira de tecnologia de análise de informações para decisões de crédito. A empresa inovou na construção de seu edifício, no arborizado bairro de Indianópolis, na capital paulista, e surpreende por ter encarado a fundo o desafio da sustentabilidade.

Entre os principais resultados dessa empreitada, está um sistema de gestão dos recursos hídricos que coloca a instituição entre as poucas no Brasil que tratam todo o seu esgoto e ainda devolve para a rede coletora da Sabesp cerca de 15 mil litros de água limpa todos os dias. Na mudança para o novo prédio, em 2002, seus gestores viram a oportunidade de ampliar o compromisso com o meio ambiente. “Não encontramos na época da construção, em 2001, alternativas para o tratamento do esgoto do prédio e conversão em água de reúso (água limpa, mas não potável)”, diz Arnaldo Borgia, gerente de facilities da empresa. Foi somente em 2004 que a Serasa encontrou a solução para a questão da água de seu prédio.

Com um investimento de aproximadamente R$ 200 mil, a empresa instalou uma estação local de tratamento de esgoto. A utilização de uma tecnologia japonesa permite hoje que quase toda a água que desce pelas tubulações do prédio em forma de esgoto, seja convertida em água de reúso, que é utilizada no aquário, na rega dos cinco mil metros quadrados de área verde do edifício, na lavagem das garagens e áreas externas e no sistema de exaustão do restaurante local. São tratados diariamente 63 mil litros de esgoto, que resultam em 50 mil litros de água de reúso. “Não conseguimos reutilizar toda essa água. Cerca de 30% é devolvida para a rede coletora da Sabesp”, comenta Borgia.

A economia proporcionada pelo sistema reduz pela metade o consumo de água do edifício. A queda no valor da conta mensal fez com que o investimento feito pela empresa retornasse aos seus cofres em cerca de dois anos. Após esse período, mesmo descontados os custos de manutenção, o sistema gera redução de despesas. Segundo Borgia, para que mais empresas invistam em iniciativas como esta, ainda falta incentivo. “Apesar de não utilizar o sistema de tratamento da Sabesp e de devolver para a rede pública apenas água limpa, nós pagamos a taxa integral de esgoto. Abatimentos nos valores pagos estimulariam outras empresas a adotar tecnologias como a nossa”. (Envolverde)

Autor: Alice Marcondes – jornalista da Envolverde.

Estação de Tratamento de Esgoto da Sabesp, em Barueri.

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