FAO sugere que EUA reduzam estímulo a biocombustível

De acordo com diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, muitos incentivos à produção de biocombustíveis em tempos de instabilidade climática podem levar a crise no setor de alimentos.

Nessa quinta-feira (9), o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, pediu em um artigo publicado no jornal Financial Times que os Estados Unidos revejam sua política de incentivo aos biocombustíveis com o objetivo de evitar uma crise no setor alimentar.

De acordo com Silva, que é agrônomo, a instabilidade climática e a seca severa que os EUA vêm enfrentando estão levando a uma redução na produção de alimentos, em especial dos cereais, no país, o que pode acirrar a disputa entre os setores de geração de biocombustíveis e de produção alimentícia, levando a uma crise neste último.

“Muitas das reduzidas colheitas serão reivindicadas para a produção de biocombustíveis, em conformidade com os mandatos federais dos EUA, deixando ainda menos para os mercados alimentícios”, comentou.

Isso leva a uma diminuição na oferta de cereais para a produção de alimentos, o que faz com que o preço destes suba. De fato, esse aumento já está sendo sentido no mercado. Segundo a FAO, em julho deste ano o Índice de Preços de alimentos chegou a 213 pontos, 12 (6%) acima do mês anterior e pouco abaixo do pico de 238 atingido em fevereiro de 2011.

A elevação ocorreu principalmente nos preços dos cereais, cujo índice atingiu a média de 260 pontos em julho, 38 pontos (17%) acima de junho e apenas 14 abaixo do pico de 274 alcançado em abril de 2008. Os preços mundiais do milho, por exemplo, subiram 23% em julho, e os do trigo, 19%, devido às baixas perspectivas das colheitas nos Estados Unidos e na Rússia.

“Com os preços mundiais dos cereais aumentando, a competição entre os setores alimentício e de combustíveis por colheitas como milho, açúcar e sementes oleaginosas tende a se intensificar”, explicou Silva.

Por isso, o diretor-geral da FAO sugere que o governo norte-americano diminua ou suspenda temporariamente o seu Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS), que exige que as empresas de combustíveis garantam que 9% de seus reservatórios de gasolina sejam destinados para o etanol, o que exige que boa parte da produção de cereais dos EUA seja convertida em biocombustíveis.

“No momento, relata-se que a produção de energia renovável nos EUA tenha atingido 15,2 bilhões de galões em 2012, para os quais usou o equivalente a cerca de 121,9 milhões de toneladas, ou aproximadamente 40%, da produção de milho dos EUA”, observou ele.

“Uma forma de aliviar um pouco da tensão seria diminuir ou suspender temporariamente os mandatos dos biocombustíveis. Uma suspensão imediata e temporária desse mandato daria algum descanso ao mercado e permitiria que mais colheitas fossem canalizadas para usos alimentares”, acrescentou.

Defesa

Embora o programa norte-americano de estímulo aos biocombustíveis enfrente críticas como o potencial aumento no preço dos alimentos, também recebe muito apoio dos estados e empresas que investem na produção destes biocombustíveis, o que em ano eleitoral significa criar uma situação delicada para o presidente Barack Obama, candidato à reeleição.

Alguns defensores do padrão sustentam que, se o RFS fosse suspenso temporariamente, poderia gerar alguns efeitos indesejáveis, como diminuir também o incentivo ao uso de celulose e outros produtos que desestimulam a dependência dos biocombustíveis em produtos alimentícios.

Além disso, representantes do governo indicam que é improvável que o mandato seja alterado, justificando também que tal mudança teria pouco ou nenhum impacto nos preços dos alimentos.

Fonte: Carbono Brasil

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