Estudo destaca ameaça do aquecimento global para o trigo

Mais de 220 milhões de hectares são utilizados para o cultivo do trigo, que constitui a base alimentar de muitos países e é a segunda cultura mais comum do planeta, ficando atrás apenas do milho. Assim, não é surpresa que se queira saber quais serão as consequências das mudanças climáticas para esse grão que forma o pão nosso de cada dia. O problema é que a resposta não é nada boa.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Stanford, o aumento de 2°C nas temperaturas já resultaria em uma perda de até 50% da produção do trigo devido à maturação precoce da planta.

“Quando a temperatura passa dos 34°C, o período de preenchimento do grão acontece cedo demais, levando à má formação”, afirmou David Lobell, líder da pesquisa.

Publicada neste domingo (29) no periódico Nature Climate Change em parceria com o Centro Internacional de Melhorias do Milho e Trigo, o “Extreme heat effects on wheat senescence in India” observou nove anos de imagens de satélite do cultivo de trigo na Índia e concluiu que o calor excessivo é uma ameaça real para a cultura.

Além de resultar na perda de produtividade, as altas temperaturas facilitam a multiplicação de doenças como a “ferrugem do trigo”. No norte da África, Oriente Médio e Ásia Central, até 40% das colheitas de 2011 foram perdidas por causa do ataque do fungo causador da “ferrugem”.

“Os resultados mostram que o aquecimento global representa um desafio ainda maior para o trigo do que estudos anteriores sugeriram. Além disso, destaca a importância de ações de adaptação que promovam a redução da sensibilidade da planta ao calor”, disse Lobell.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ondas de calor devem se tornar mais frequentes nas próximas décadas. Fenômenos que aconteciam a cada 20 anos, acontecerão a cada cinco em 2050.

Assim, fica claro que o aumento de 70% da produção de alimentos necessária para atender a população mundial em 2050, de acordo com números Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), pode ser ainda mais difícil de ser alcançada.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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