Consciência ambiental no país quadruplicou, revela pesquisa

Vinte anos depois do primeiro estudo, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou na quinta-feira, 16 de agosto, os dados comparativos de todo o período (1992 a 2012), que indicam clara evolução na consciência ambiental do brasileiro.

Os resultados da pesquisa deste ano, intitulada O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável, mostram um retrato sobre o tema e apontam tendências que vão colaborar com as próximas políticas públicas de meio ambiente.

As versões do levantamento mostram que, enquanto na primeira edição, realizada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), 47% dos entrevistados não sabiam identificar os problemas ambientais, em 2012, apenas 10% ignoravam a questão.

Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de articulação institucional e cidadania ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo.

Mais jovens e mais velhos

Nessa projeção, a população da região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos mas de atitudes corretamente ambientais”, destacou Samyra.

A separação do lixo é um habito de quase 80% das pessoas que vivem na região Sul.

Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.

“Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, observou Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o habito de queimar o lixo”.

Atitudes ambientalmente corretas

Samyra ressaltou que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo. A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros.

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Samyra Crespo acredita que Política Nacional de Resíduos Sólidos vai incentivar à reciclagem. Foto: Martim Garcia/MMA

O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas.

Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, acrescentou a secretária.

Problemas ambientais

Na análise geral do país, os índices ainda são baixos, sendo que menos de 500 municípios têm coleta seletiva implantada. Enquanto a separação do lixo é um habito de quase 80% das pessoas que vivem na região Sul atualmente e de mais da metade dos moradores de cidades do Sudeste. No Norte e Nordeste, mais de 60% não separam resíduos.

Temos que trabalhartanto na desoneração da cadeia produtiva, como com a conscientização ambiental”
Samyra Crespo, secretária do Ministério do Meio Ambiente.

Entre os problemas ambientais apontados, o desmatamento das florestas continua no topo da lista elaborada pelos entrevistados. “A preocupação com rios e mares [que continua na segunda posição do ranking] se eleva a partir de 2006. Já é impacto da Politica Nacional de Resíduos Sólidos [criada em 2010]”, enfatizou.

“O bioma Amazônia continua sendo considerado o mais ameaçado na opinião das pessoas”, apontou Samyra Crespo, comparando as edições da pesquisa. Em 2006, por exemplo, 38% dos entrevistados estavam dispostos a contribuir financeiramente para a preservação do bioma. Este ano, o índice cresceu para 51%.

A secretária ainda aposta que a Política Nacional de Resíduos Sólidos vai provocar mudanças econômicas, criando um ambiente de estímulo à reciclagem. “Temos que trabalhar tanto na desoneração da cadeia produtiva, como com a conscientização ambiental. Os produtos corretos concorrem hoje nas mesmas condições”, pontuou ela, acrescentando: “não é tão simples porque você trabalha toda a cadeia do produto e temos poucos estudos de ciclos produtivos”.

No decorrer dos últimos vinte anos, a população também mudou a forma como distribui as responsabilidades sobre meio ambiente. “Em 1992, o governo federal era o maior responsável. Isso vai diminuindo e a responsabilidade foi sendo atribuída às prefeituras. Continua a tendência a achar que é o governo [federal], mas cada vez mais o governo local é priorizado”, concluiu Samyra Crespo.

– Conheça a pesquisa na íntegra (em PDF) – 

Fonte: Agência Brasil

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Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. Foto: Imprensa GPA

Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. Foto: Imprensa GPA

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