Companhias aéreas reagem a entrada no esquema europeu de comércio de emissões

Mesmo com intermináveis batalhas jurídicas e políticas, o início de 2012 significa, para as companhias aéreas internacionais que voam em território europeu, o começo da regulação das suas emissões de gases do efeito estufa.

A partir de janeiro, as empresas terão que cumprir cotas, podendo comprar permissões de emissão no mercado europeu de carbono se superarem seus limites. O balanço das emissões deste ano e, consequentemente, a cobrança de multas, se dará apenas em março de 2013.

A Associação Chinesa de Transporte Aéreo (CATA), que representa as quatro maiores companhias do país, disse na quarta-feira (04) que suas associadas não pagarão qualquer cobrança sob o esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS, em inglês). Entre as empresas que também pretendem seguir o caminho litigioso está a australiana Qantas.

O vice secretário-geral da CATA, Cai Haibo, disse à Reuters que as empresas estão considerando entrar com processo judicial contra as cobranças europeias, porém que isso seria bem pensado, já que companhias norte-americanas perderamno final de 2011 um processo similar no tribunal de Bruxelas.

Seguindo o objetivo de conter o crescimento nas emissões do setor de aviação, a Singapura Airlines disse que para compensar os custos do EU ETS tentaria melhorar a eficiência dos seus combustíveis e reduzir as emissões, apesar de não descartar a possibilidade de repasse dos custos aos consumidores.

Já a norte-americana Delta Airlines anunciou a adição a partir de 02 de janeiro de US$ 3 por trecho nas passagens entre Estados Unidos e Europa, apesar de não ter confirmado o motivo do aumento.

A Luftansa declarou que deve repassar os custos aos passageiros, somando-os às taxas já existentes relativas ao combustível, mas não em curto prazo. A empresa aumentou no mês passado as taxas extras cobradas dos passageiros entre € 102 e € 122 para voos intercontinentais e € 31 nos domésticos e europeus alegando aumento no custo do combustível.

A maior companhia aérea mundial em tráfego internacional, a Emirates, emitiu um aviso aos consumidores para que se prepararem para o aumento nos bilhetes devido aos custos do EU ETS, que devem chegar aos US$ 52 milhões este ano.

Algumas empresas asiáticas, como a Cathay Pacific Airways, também disseram que podem ter que aumentar as passagens, sem maiores especificações.

A extensão do EU ETS à indústria do transporte aéreo tem como objetivo limitar as emissões dos gases do efeito estufa (GEEs) do setor, e faria com que as empresas tivessem que comprar 15% das permissões de emissão – o restante seria dado às companhias pela UE – e tivessem que reduzir gradativamente as suas emissões.

Com isso, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (AITA), com 230 membros dentre as maiores companhias mundiais, calcula que este ano os custos poderiam superar € 1 bilhão. As empresas do setor argumentam que não têm como assumir mais custos devido ao salto no preço dos combustíveis, à dura competição internacional e às altas taxas nacionais.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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