Clima ganha modelos mais acurados para impactos

Um planeta em aquecimento vai ser capaz de suster as gerações próximas? Poucas questões sobre o futuro importam mais que essa. Mas embora modelos atuais do clima possam prever mudanças de temperatura e mesmo precipitações, eles têm dificuldade de dizer como a mudança do clima irá afetar os fatores que mantêm o planeta habitável, como a disponibilidade de alimentos e água. Na semana passada, no Instituto de Pesquisa de Impacto do Clima (PIK), na Alemanha, cientistas lançaram um programa para tornar suas narrativas de eventos futuros mais coerentes e úteis para aqueles que tomam decisões.

Modelos de impacto do clima combinam projeções de mudancas física no clima com dados sobre população, crescimento econômico e outras variáveis sócioeconômicas. Para vários cenários de emissões, eles prevêem mudanças induzidas pelo clima em colheitas, zonas de vegetação, hidrologia e saúde humana. Mas frequentemente deixam de fora elementos importantes, como o papel de fatores sociais na disseminação de doenças, e modelos de escassez de água podem não considerar a perda de água de plantas. Pesquisadores construíram dezenas de modelos, mas nunca compararam sistematicamente seus desempenhos.

“A pesquisa de impactos está ficando para trás das ciências fisicas do clima,” disse Pavel Kabat, diretor do Instituto Internacional de Análises de Sistemas Aplicados de Laxenburg, Áustria, que coordenará o programa junto com o PIK. “Os modelos de impacto nunca foram globais, e seus produtos são muitas vezes rascunhos. Fazê-los melhor é uma questão de responsabilidade nossa para com a sociedade.”

O programa, chamado de Projeto Inter-Setorial de Intercomparação de Modelos de Impacto (ISI-IP) envolve mais de doze grupos de modeladores de oito países, e eles estabeleceram para si mesmos um prazo curto. No encontro inicial do PIK, os pesquisadores concordaram em completar um amplo conjunto de experimentos de modelos em seis meses. Todas as simulações vão cobrir o globo com a mesma resolução, e serão baseados nos mesmos conjuntos de dados do clima de modelos do estado  da arte, dos cenários mais recentes de emissões de gases estufa.

Estas comparações deverão revelar distorções sistemáticas que levam modelos a dar resultados muito diferentes. Os modelos “refinados” ainda irão resultar em uma gama de respostas – mas os modeladores esperam que elas sejam mais informativas que frustrantes. “Nunca vamos poder dizer exatamente como será o futuro, mas podemos iluminar caminhos possíveis, e as comparações multi-modelos podem ajudar a abrir as caixas pretas,”  disse à Nature Ottmar Edenhofer, economista chefe do PIK.

Fonte: Planeta Sustentável

Autor: Eduardo Mendonça

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