China fecha acordo com União Europeia para corte de emissões

A China, o maior emissor de gases do efeito estufa do planeta, concordou em trabalhar em conjunto com a União Europeia para cortar as suas emissões através de projetos incluindo o desenvolvimento de esquemas de comércio de emissões, afirmou a Comissão Europeia (CE) nesta quinta-feira (20).

A União Europeia (UE) e a China frequentemente ficam de lados opostos quando o assunto são políticas climáticas, inclusive com o governo de Pequim ameaçando retaliar decisões europeias como a inclusão de companhias aéreas internacionais no mercado de carbono (EU ETS).

Entretanto, os dois lados têm mantido nos últimos tempos diálogos em eventos como a conferência realizada nesta semana em Bruxelas.

Foi nesta reunião que o comissário europeu de Desenvolvimento, Andris Piebalgs, e o ministro de Comércio da China, Chen Deming, assinaram um acordo financeiro para promover a transição “para uma economia de baixo carbono e a redução das emissões na China”.

A CE declarou que a parceria visa também fortalecer o EU ETS, cujos preços estão abaixo do minimo necessário para incentivar investimentos verdes.

No mês passado, a CE já havia conseguido um acordo com o governo australiano, para promover a união dos seus mercados de carbono até 2018.

A comissária climática da UE, Connie Hedegaard, afirmou que a parceria com a China “foi um passo importante para melhorar a cooperação na busca de um robusto mercado de carbono internacional”.

“É desnecessário dizer que fará uma grande diferença a intenção da China de também utilizar os mercados de carbono. Eles possibilitam a redução das emissões de uma maneira eficiente e estimulam as tecnologias de baixo carbono”, disse Hedegaard.

Piebalgs afirmou que a UE possui uma “sólida experiência” na luta contra as mudanças climáticas, e que a dividiria com a China.

“Os resultados destes projetos beneficiarão todos nós e contribuirão para nosso objetivo comum: o desenvolvimento sustentável do planeta.”

Ajuda Financeira e Técnica

A UE disponibilizará aos chineses 25 milhões de euros e assistência técnica durante os próximos quatro anos para o desenvolvimento de três projetos de redução de carbono.

Além de ajudar com a criação e implementação de esquemas de comércio de emissão na China, a UE promete ajudar a tornar as cidades chinesas eficientes na gestão de recursos, inclusive da água, a cortar a poluição de metais pesados e colocar em prática políticas de tratamento de resíduos.

A China já possui esquemas de comércio de emissões em algumas províncias e ainda não está claro se a expansão destes  significa limitar as emissões do setor de aviação.

A decisão de incluir a aviação no EU ETS atraiu críticas internacionais e ameaças de uma guerra comercial.

Os Estados Unidos estão debatendo uma legislação que protegeria as companhias do país, apesar de ainda não estar detalhada. A China e a Índia também são contra e suas empresas não entregaram os dados de emissão que foram requisitados pela UE.

Todos os lados estão esperando que a Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) sugira uma alternativa para reduzir as emissões do setor. A UE já afirmou que abandonaria seus planos se a ICAO realmente aparecesse com uma boa proposta.

A perspectiva do desenvolvimento de novos mecanismos na China pode fortalecer a capacidade da CE em negociar com os oponentes nessa questão, afirmam analistas.

O Protocolo de Quioto não inclui a aviação, e mesmo os progressos para estender a validade do tratado estão bastante lentos.

Na Conferência do Clima de Durban, no ano passado, a UE liderou os esforços para que todos os países adotassem metas de emissão, incluindo a China, que havia ficado de fora por ser uma nação emergente.

Traduzido por Fabiano Ávila
Leia o orignal (inglês)

Fonte: Reuters

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