Bototerapia pode auxiliar crianças com deficiências na Amazônia

Criada há sete anos pelo fisioterapeuta Igor Andrade, a Bototerapia auxilia o tratamento de crianças com deficiências. A prática preza pelo contato entre os jovens e os botos que vivem em rios da Amazônia. A atividade é realizada a, aproximadamente, 30 Km de Manaus e tem atraído público para a região.

Segundo o criador da prática, a bototerapia não substitui os tratamentos tradicionais, porém, pode ajudar na evolução dos pacientes. “Nós queremos ajudar a criança, complementar. Por exemplo, uma criança com autismo e que não tinha foco, não prestava atenção em nada, o pai hoje diz que houve uma melhora geral, que ela tem mais foco”, afirmou Andrade ao portal G1.

Segundo o fisioterapeuta, as crianças, acompanhadas dos pais, visitam os botos em grupos (formados por 12 a 15 pessoas), uma vez por mês. A interação com esses animais aumenta a auto-estima e pode amenizar os efeitos negativos das deficiências, diz. São atendidos jovens com hemofilia, leucemia, cegueira, surdez, com problemas motores ou autismo.

A técnica utilizada na bototerapia é o rolfing. A prática exercita, sobretudo, os tendões e músculos. “O músculo pode comprimir o nervo ciático, por exemplo. Ele visa alinhar a pessoa, organizar o joelho, descomprimir o pescoço e outras atividades, buscando um equilíbrio para o corpo”, explicou o fisioterapeuta.

Conscientização

Os integrantes do grupo também agem para a preservação do boto, que está ameaçado de extinção e é alvo de caça local. A equipe realiza uma campanha de conscientização em comunidades pesqueiras. “A espécie [usada na terapia] é o boto-vermelho, e há uma pressão da caça muito grande. Os pescadores usam a carne do boto como isca para pegar outros peixes”, explicou o veterinário Diogo Lagroteria, também ao G1.

Ele garante que o trabalho de bototerapia segue as normas de baixo impacto, regras desenvolvidas em um estudo para auxiliar o turismo, de forma que os botos não sejam molestados e que as práticas não alterem, significativamente, a rotina do animal.

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“Estimamos quanto alimento deve ser dado, para não deixar o boto dependente do ser humano. Também estimamos que não é todo dia que pode haver interação, para o animal não criar vínculo afetivo”, afirmou Lagroteria.

Fonte: EcoD

A bototerapia não substitui o tratamento convencional. Foto: Diogo Lagroteria (Divulgação)


A bototerapia não substitui o tratamento convencional. Foto: Diogo Lagroteria (Divulgação)

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