Biólogos vão rastrear caça ilegal do boto-vermelho na Amazônia

Pescadores matam exemplares da espécie e utilizam carne como isca.

Um levantamento que será realizado ao longo de 2012 por biólogos nas cidades de Manacapuru e Beruri, ambas no Amazonas, vai detectar os efeitos da pesca da piracatinga (Calophysus macropterus), peixe também conhecido como douradinha, sobre a população dos botos-vermelhos (Inia geoffrensis), também conhecidos como botos-cor-de-rosa.

Um rastreamento em frigoríficos e entrevistas com pescadores serão realizados por especialistas ligados à Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e ao Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), para descobrir as práticas de pesca da douradinha, um peixe que consome carne apodrecida e é atraído por armadilhas onde a isca é a carne de boto.

A prática, difundida no interior do estado, também ocorre em zonas próximas a Manaus, capital do Amazonas. Segundo Sannie Brum, bióloga e pesquisadora da Ampa, frigoríficos têm financiado a pesca na região e causando o aumento da mortalidade de botos.

“São montados ‘currais’ para depósito da carga de piracatinga. Como eles (os pescadores) não querem gastar dinheiro com iscas, caçam os botos. Queremos entender este mercado, quanto custa o quilo do pescado, para quem é vendido e vamos tentar encontrar alternativas para evitar a caça do boto na captura da douradinha”, afirma Sannie.

Caça predatória
De acordo com um estudo divulgado em 2011, em dez anos a população de botos da Amazônia reduziu pela metade. O levantamento, feito por amostragem na região de Tefé, apontou que morre por ano uma quantidade de animais sete vezes maior que o limite permitido.

Outro dado importante aponta que cada boto-vermelho, que chega a medir 2,5 metros e pesar 180 kg, pode render ao menos uma tonelada de piracatinga. Na região de Tefé, estima-se a pesca de 400 toneladas do pescado ao ano, sendo que grande parte da carga é enviada para a Colômbia.

“Já na região de Manacapuru e Beruri, os peixes vão para o comércio local e também são enviados para São Paulo e para o Nordeste”, disse a pesquisadora.

Com custo de R$ 30 mil, financiados pela Fundação Boticário, pesquisadores vão percorrer a região do Baixo Rio Purus, onde a prática ilegal de caça ao boto tem ocorrido de forma velada. Enquanto na região de Tefé os pescadores colocam a carne em caixas, na bacia do Purus são utilizadas redes leves que podem ser escondidas em possíveis flagrantes.

“Já temos relatos de que somente nesta área foram mortos em um único dia cerca de 40 botos. A partir da nossa pesquisa, vamos preparar diretrizes para aumentar a fiscalização nessas regiões, mas, principalmente, melhorar a imagem do boto junto às comunidades”, comenta.

Fonte: G1 Natureza

 

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