Biodiversidade precisa de US$ 80 bi ao ano

Após o fracasso dos compromissos assumidos para 2010 no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica, as partes concordaram em 20 novas metas, chamadas Metas de Aichi, para 2020.

Para alcançá-las, será preciso um montante significativo de recursos financeiros, mas assim como nas discussões climáticas, quando se trata de investir na salvaguarda do patrimônio natural, não existe vontade política.

Muito se fala em mecanismos como REDD, fundos internacionais ou pagamentos por serviços ambientais como uma forma de aporte financeiro para proteção dos ecossistemas, mas quanto seria preciso para barrar as taxas alarmantes de extinção da biodiversidade?

Usando dados das aves – a classe de organismos mais bem conhecida –, pesquisadores da Birdlife Internacional e da Birdlife britânica estimaram os custos para alcançar duas das 20 Metas de Aichi: salvar espécies de plantas e animais ameaçadas e proteger locais essenciais para a conservação.

O estudo estima que US$ 4 bilhões sejam necessários ao ano para tirar as espécies da extinção, e que outros US$ 76 bilhões teriam que ser direcionados para a proteção e manejo efetivo dos locais significativos para a conservação.

A soma é muito maior do que circula atualmente ao redor do globo, porém os pesquisadores afirmam que o total é pequeno quando comparado com os benefícios econômicos que a natureza oferece.

“O total é apenas 1%-4% do valor líquido dos serviços ecossistêmicos que são perdidos todos os anos, os quais são estimados entre US$ dois e US$ 6,6 trilhões. Mais prosaicamente, o total exigido é menos de 20% do gasto anual dos consumidores com refrigerantes”, enfatizou Donal McCarthy, economista ambiental da Birdlife Internacional.

O custo para reduzir o risco de extinção de todas as espécies ameaçadas de aves ao redor do globo, suficiente para resultar na melhoria em uma categoria na Lista Vermelha da IUCN, é projetado entre US$ 0,88–1,23 bilhão anual na próxima década. Apenas 12% destes recursos são fornecidos atualmente.

Para avaliar os custos de preservação dos locais essenciais, os autores examinaram as áreas importantes para a avifauna (IBAs – Important Bird Areas), que representam a maior rede global sistematicamente identificada de locais relevantes para a biodiversidade. Porém, apenas 28% delas estão completamente cobertas por áreas protegidas.

Gerenciar adequadamente estes locais já protegidos custaria US$ 7,2 bilhões ao ano. Expandir a proteção para o restante das IBAs, com manejo efetivo, exigiria mais US$ 57,8 bilhões. Estas áreas adicionais aumentariam a fatia de superfície global coberta por locais protegidos para pouco mais de 17%, a meta visada em Aichi.

“Globalmente, áreas importantes também foram identificadas para mamíferos, anfíbios e alguns répteis, peixes, plantas e invertebrados em uma série de países. Destas, 71% já são qualificadas como IBAs.

Presumindo que esta relação prevaleça ao redor do globo, os custos para proteção e manejo efetivo de uma rede mundial de áreas naturais como um todo são estimados em US$ 76,1 bilhões ao ano”, concluem.

O estudo ‘Custos financeiros para o alcance de duas metas globais de conservação da biodiversidade: gastos atuais e necessidades não atendidas’ foi publicado na edição de 11 de outubro da revista Science.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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