Atlas: EUA e Japão são os mais expostos a riscos naturais

Um novo atlas publicado neste mês pela empresa de consultoria Maplecroft indica que Estados Unidos e Japão são os mais expostos a perigos naturais em termos absolutos. Porém, são as populações de nações pobres, como Bangladesh, Filipinas, Mianmar e Vietnã, as grandes vítimas.

De acordo com o 2nd Natural Hazards Risk Atlas (2º Atlas de Riscos Naturais) há uma grande diferença entre esses países em relação aos riscos naturais: a capacidade de ligar com esses perigos. Enquanto os primeiros apresentam boas soluções e esforços para combater os fenômenos, os últimos não têm tais condições. O nível de risco foi calculado por meio de uma série de fatores, incluindo robustez econômica, governança e infraestrutura.

“China, México, Índia, Filipinas, Coreia do Sul, Indonésia, Mianmar, Vietnã, Turquia, Bangladesh e Irã estão fortemente expostos a grandes perigos naturais como terremotos, enchentes e ciclones tropicais. Impactos nesses países expostos são aumentados por sua fragilidade econômica”, comentaram os autores do Atlas.

“Alguns dos países com mais risco têm uma produção econômica substancial, mas têm populações grandes e pobres, muitas das quais vivem em áreas marginais como planícies de inundação, deixando a força de trabalho em maior risco e sem os recursos necessários para se restabelecer do resultado de um evento”, continuaram.

“A alta exposição a perigos naturais nesses países é agravada pela falta de resistência para combater os efeitos de um desastre. Dada a exposição de centros financeiros e de produção, a ocorrência de um grande evento muito provavelmente teria impactos significativos sobre a produção econômica total desses países, assim como sobre empresas estrangeiras”, acrescentou Helen Hodge, diretora de Mapas e Índices da Maplecroft.

Já os Estados Unidos e o Japão, apesar de em termos absolutos terem alcançado respectivamente a primeira e segunda posições em riscos naturais, apresentam diversas estratégias eficientes para lidar com esses perigos, o que torna estes países mais seguros neste sentido, além de suas economias se recuperarem muito mais rapidamente de tais incidentes do que as outras nações.

O Japão, por exemplo, um ano depois de ter passado pelo seu quarto maior terremoto já registrado, apresentou uma economia que havia retornado aos padrões de produção normais, e observou ainda estimativas de crescimento em relação ao período antes do evento.

Por outro lado, as enchentes ocorridas no último ano na Tailândia não apenas absorveram 9% do produto interno bruto (PIB) do país, mas danificaram grande parte da infraestrutura, que ainda não está completamente reparada. “Quando você considera o terremoto haitiano em 2010, a proporção da economia haitiana que estava exposta àquele terremoto estava perto do PIB anual da nação”, exemplificou Hodge.

Para se ter uma ideia da diferença entre os esforços para mitigar esses fenômenos, embora grande parte do Japão e sua população (40%) esteja mais suscetível a enfrentar ciclones tropicais do que as Filipinas, se os dois países sofressem com esse fenômeno, morreriam 17 vezes mais pessoas no último do que no primeiro, afirma a ONU.

“Uma forma de explicar como isso se difere é observando um lugar como os EUA, onde no sul da costa oeste e ao longo da costa leste, você tem uma grande concentração de perigos para a produção econômica – terremotos no oeste e furacões no leste. Isso vai elevar os EUA no ranking de exposição econômica absoluta”, observou Hodge.

“No entanto, se você observá-lo como uma produção econômica relativa mais ampla – porque há concentrações econômicas em lugares como o meio-oeste que não estão tão expostos a esses riscos – há um efeito de equilíbrio”, explicou a diretora de Mapas e Índices.

Por isso, nações que apresentam mais áreas de risco e não possuem estratégias para lidar com esses perigos têm grandes dificuldades para se recuperarem de tais fenômenos, pois além dos riscos a que estão expostas, o documento cita também que a falta de administração de um desses riscos pode desencadear o surgimento de outros problemas, agravando a situação do país.

“O Círculo de Fogo é um cinturão de risco sísmico que inclui Indonésia, Filipinas, Japão e Taiwan etc. Então isso expõe essas nações a riscos sísmicos, e ao alto risco de terremotos, mas também – como vimos no Japão – a um risco secundário de tsunamis. Não é apenas um risco em particular, mas é a combinação de muitos riscos, que são proeminentes nessas áreas”, explicou Hodge.

Para resolver essa situação delicada, o atlas sugere que os países e as empresas se espelhem nos bons exemplos estratégicos e trabalhem a fim de reduzir tais danos.

“[O atlas] apresenta uma grande oportunidade para empresas contribuírem para reduzir os riscos e assim melhorarem sua própria segurança no futuro ambiente de crescimento econômico. À medida que as classes médias crescem nessas economias emergentes, o apetite por segurança também cresce, incentivando a preparação mais forte para desastres”, declarou Alyson Warhurst, CEO da Maplecroft.

 “À medida que a influência global das economias emergentes aumenta, a importância de sua exposição inerente a perigos naturais terá implicações globais mais amplas e profundas. O teste para as economias emergentes e em desenvolvimento é criar uma capacidade mais forte de enfrentar os desafios de ambientes propensos a perigos. Não fazer isso arriscará o crescimento econômico quando os inevitáveis perigos naturais ocorrerem”, concluiu Hodge.

Imagem: Em vermelho os pontos mais expostos a riscos naturais / Maplecroft.

Fonte: Instituto Carbono Brasil

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