Após quatro anos, Brasil ganha novo navio de pesquisa oceanográfica

Quatro anos após um incêndio aposentar o navio de pesquisas Professor W. Besnard, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), a oceanografia brasileira volta a contar com um representante de peso para dar continuidade às pesquisas paradas e embarcar em novas empreitadas científicas. A aquisição do navio Alpha Crucis, uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a USP, promete dar novo fôlego às pesquisas no país.

Construído em 1973, nos Estados Unidos, o Alpha Crucis prestou serviço, durante muitos anos, para a Universidade do Havaí. O navio, que foi rebatizado com o nome da estrela que representa o estado de São Paulo na bandeira brasileira, poderá ser utilizado por pesquisadores de todo o Brasil.

Segundo Michel Mahiques, diretor do IO-USP, o navio de 64 metros e 972 toneladas é superior ao antecessor, já que acomoda mais pesquisadores e oferece possibilidades de estudos que o Professor W. Besnard não oferecia. “O navio tem uma autonomia três ou quatro vezes maior que o antecessor. Isso nos permitirá ir mais longe e por mais tempo, ampliando os horizontes para áreas que, tradicionalmente, eram pesquisadas apenas por navios estrangeiros. O sistema de navegação é muito mais moderno. Além disso, os equipamentos permitem estudos físicos, químicos, biológicos e geológicos que não fazíamos com o Besnard”, explica.

Nos últimos quatro anos, as pesquisas brasileiras ficaram limitadas a alguns navios da Marinha e a navios privados, que custavam cerca de US$ 30 mil por dia. No Alpha Crucis, as operações custarão US$ 4 mil por dia. Mahiques torce para que a redução dos custos operacionais desperte o interesse de outras instituições. “O Alpha Crucis é uma plataforma para desenvolvimentos em águas internacionais. Costumo dizer que o Brasil precisa de uns 8 ou 10 navios iguais a este. Faltam plataformas com essas características no país”, lamenta.

Como foi construído especialmente para pesquisas oceanográficas, o navio conta com quatro laboratórios, guindastes e guinchos para pesquisas em alto-mar, além de equipamentos capazes de mapear o leito e o subsolo oceânico. O navio também conta com toda a estrutura necessária para viagens longas, como refeitórios, acomodações e até uma enfermaria para emergências. “Poderemos ter 20 pesquisadores a bordo simultaneamente. O navio coletará dados de organismos, processos físicos, água e amostras do fundo do mar. Tudo isso poderá ser estudado nos laboratórios”, conta.

A primeira missão do Alpha Crucis já tem endereço. Uma equipe de especialistas será responsável pela medição de correntes e de propriedades físicas e químicas da água do mar, na região entre Cananéia, no litoral de São Paulo, e Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro.

As expectativas do diretor do IO-USP são enormes. O navio, que custou, no total, US$ 11 milhões (US$ 7 milhões pagos pela Fapesp e US$ 4 milhões pela USP), deve trazer muitos avanços à oceanografia nacional. Parte do dinheiro foi investido em novos equipamentos e em uma reforma, que adequou a embarcação às normas internacionais. “Uma embarcação dessas, construída do zero, custaria por volta de US$ 30 milhões. Foi um bom investimento. Com o Alpha Crucis podemos ter grande desenvolvimento em algumas vertentes importantes, como a biodiversidade no Atlântico Sul e seu eventual potencial biotecnológico. Além disso, estamos tentando compreender os processos climáticos e oceanográficos em diferentes escalas de tempo, de anos a milhares de anos. Outro estudo importante é a compreensão do fluxo de carbono no Atlântico Sul e seu papel no oceano global”, explica.

O Alpha Crucis será inaugurado às 9h desta quarta-feira (30), no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, em Santos, no litoral de São Paulo. O evento contará com a presença do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Representantes da Fapesp e da USP, além do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa, também participarão da solenidade.

Fonte: G1

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