Após protesto, Greenpeace assina acordo com indústria de ferro gusa

Após ser pressionado por protestos, o sindicato que representa as indústrias de ferro gusa que atuam no Maranhão assinou nesta quarta-feira (2) um compromisso público com o grupo ambientalista Greenpeace para adotar medidas que garantam que o carvão usado em suas fornalhas não seja originário de desmatamento ilegal.

A assinatura do compromisso ocorre mais de dois meses depois do Greenpeace ter realizado um bloqueio a um navio que seria carregado com ferro gusa –que é usado como matéria-prima do aço– no porto de Itaqui, em São Luís.

O protesto foi usado para chamar atenção para a origem do carvão usado nas indústrias e durou 11 dias.

Paralelamente ao bloqueio, o Greenpeace divulgou resultados de uma investigação que apontava que carvoarias do Estado produziam carvão com madeira extraída ilegalmente e depois vendiam o produto para as indústrias de ferro gusa no Estado, que não verificavam sua origem.

Pelo acordo assinado hoje, as indústrias representadas pelo Sifema (Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Maranhão) vão ter dois anos para adotar um sistema de monitoramento que garanta que seus fornecedores não produzam carvão com madeira originária de florestas nativas ou que provoque desmate para plantio de eucaliptos.

A assinatura do acordo contou com a presença do vice-governador do Estado, Washington Luiz de Oliveira (PT), representantes do Greenpeace e de movimentos sociais da região.

“O compromisso que a indústria de gusa está assumindo aqui não é com o Greenpeace, mas com a sociedade e com seus consumidores. Setores que operam na Amazônia começaram a perceber que o consumidor não tolera mais produtos que causam a destruição da floresta”, diz Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace.

As siderúrgicas também se comprometeram a quebrar contratos com carvoarias que exploram mão de obra em situação análoga à escravidão ou que fazem uso de madeira oriunda de áreas protegidas.

Fonte: Folha.com

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