Água que te quero água

ÁGUA QUE TE QUERO ÁGUA

RESUMO
O projeto de pesquisa foi desenvolvido sob o tema “Água que te quero água”. Através da observação em sala de aula percebeu-se a necessidade de uma ação sobre o ambiente que nos circunda a fim de preservá-lo para as futuras gerações. O intuito do projeto foi o de capacitar os alunos como sujeitos interativos do processo da educação ambiental, possibilitando aos mesmos a oportunidade de reelaborar e transformar o futuro de nosso planeta Através do projeto desenvolvido objetivou-se alcançar e viabilizar uma prática eficiente para a preservação de nosso mais precioso recurso natural: a água. Para tal recorremos ao trabalho com gêneros e tipologia textual através de atividades lúdicas tais como: observação de imagem para em seguida produzir textos narrativos, utilização de música, envolvendo o tema, criação de logotipo para o projeto, criação de folhetos para a preservação da água, passeio exploratório e de observação. Tais processos de elaboração, investigação e criação, auxiliaram os alunos na busca por ações e soluções de transformação e preservação do ambiente como um todo.
Palavras-chave: preservação do ambiente – recurso natural – observação.
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1 Anita Hoffmann graduada em Pedagogia-Licenciatura Plena pela Universidade Federal do Paraná. Pós graduada em Didática pela Faculdade São Luiz em São Paulo. Trabalha como professora em escola de Ensino Fundamental na Prefeitura Municipal de Curitiba.
2 Elizabete Ap. Sola Franco graduada em Pedagogia – Licenciatura Plena pela UNINTER e pós graduada em Pedagogia Empresarial pelo IBPEX. Trabalha como professora regente em Escola do Ensino Fundamental na Prefeitura Municipal de Curitiba.
3 Rachel Gafforelli Jorge graduada em Pedagogia – Licenciatura Plena pela Universidade Tuiuti do Paraná e pós graduada em Neuropsicologia pela Faculdade Bagozzi. Trabalha como professora na rede municipal de ensino de Curitiba.
4 Sheila Mari De Lucca graduada em Pedagogia- Licenciatura Plena pela Uniandrade. Trabalha como professora em escola do Ensino Fundamental na Prefeitura Municipal de Curitiba.
5 Orientadora: Rita de Cássia Moser Alcaraz: graduada em Letras Português pela Universidade Federal do Paraná, Pós Graduada em Educação Infantil e Mestre em Estudos Literários pela mesma Instituição. Sua linha de estudos de pesquisa atuais concentra-se em LA, cursando disciplinas como aluna não-regulas da Pós no Instituto da Linguagem na UNICAMP.

1INTRODUÇÃO

O Projeto “Água que te quero água” pretendeu abordar a questão dos cuidados e preservação da água através de problematizações que despertassem a compreensão dos educandos, bem como viabilizasse o consumo consciente desse recurso natural. O projeto idealizou a discussão de questões e estratégias de prevenção em relação ao uso e manutenção da água potável. Assim como o seu uso racional e a mudança na forma de utilização deste bem natural.
Ele foi aplicado na E M J M F, com as turmas de 2º anos b e c, buscando uma educação ambiental no intuito de transformar o aluno em sujeito interativo do processo. Os conteúdos trabalhados são concentrados na área de Língua Portuguesa, com base nas discussões de gêneros com significação para os alunos, por isso as atividades foram desafiadoras, estimulantes e atrativas. Para superar possíveis dificuldades de aprendizagem trabalhamos com nossos alunos de maneira divertida, criativa e real, formando cidadãos críticos, participativos e multiplicadores na sociedade em que estão inseridos.
A água é a substância mais importante da Terra. Não pode existir vida no planeta sem ela, pois todo ser vivo depende e consiste deste elemento. A água é essencial ao homem, a usamos em nossas casas, nas plantações, no lazer, nas fábricas, etc.
Entretanto o homem tem cada vez mais poluído o meio ambiente, principalmente o aquático. E de toda a água existente no planeta, apenas 0,002% se encontra disponível para o consumo humano. Com base nos dados descritos, procurou-se trabalhar a conscientização em relação aos cuidados e a preservação desse elemento vital à existência em nosso planeta.
A responsabilidade com a água começa com ações individuais em casa, na escola e na comunidade e com pequenas atitudes de economia, sendo assim, é preciso à consciência que possibilite ações urgentes frente ao desperdício desse valioso líquido.
Um dos objetivos com a aplicação do projeto foi o de construir valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação da água, bem de uso comum da humanidade, essencial à sadia qualidade de vida e a sua sustentabilidade. Outros propósitos somaram-se para o Projeto “Água que te quero água”, como: reconhecer a importância da água em nossas vidas; identificar a utilização adequada da água em nosso dia a dia; reconhecer as situações em que a água é prejudicial à saúde; identificar os direitos universais da água; desenvolver a criatividade, imaginação e atitudes críticas e responsáveis, relacionadas à preservação da água; identificar a importância da água no corpo humano; formar multiplicadores nos cuidados com a água e conscientizar o educando de que a quantidade de água potável disponível ao consumo humano é limitada e deve ser poupada e preservada.

2 DESENVOLVIMENTO

O consumo de água no mundo vem se elevando de maneira assustadora, principalmente devido ao aumento da população no mundo. Isso poderá trazer muitos problemas e dificuldades como o racionamento de água para as pessoas, o aumento de custos industriais pela necessidade de exploração de águas subterrâneas, entre outros tantos, pois esse consumo se refere à água doce, que é um recurso natural escasso. A cada 100 litros de água doce consumidos no mundo, 70 litros vão para a atividade agrícola. Esse ritmo de consumo está muito acima da capacidade da natureza em repor este recurso natural.
No Brasil, um dos graves problemas é o desperdício desenfreado da água. Perde-se de 40% a 60% da água tratada entre a estação de tratamento e as residências. O desperdiço é tão absurdo que cerca de 100 milhões de vasos sanitários instalados gastam em média 30 a 40 litros de água para fazer a higienização, sendo que já estão à venda no mercado produtos com a mesma eficiência com um gasto de 6 a 9 litros. No primeiro caso, a válvula da descarga está ligada diretamente à caixa d’água e no segundo caso, o caso sanitário possui uma pequena caixa acoplada, que tem um limite de água suficiente para a higienização. (CIESC. 2003)
Os maiores rios do Brasil foram transformados em depósitos de esgoto e lixo, desta forma estão totalmente contaminados e impróprios para a utilização do homem. Os desmatamentos feitos de maneira descontrolada, principalmente perto das nascentes, afetam de maneira decisiva a qualidade da água nos rios.
As doenças causadas pelas águas contaminadas estão em primeiro lugar entre as causas da mortalidade infantil e correspondem a dois terços das internações hospitalares no Brasil.
Como podemos perceber, a água é um dos elementos de maior importância para todas as formas de vida na Terra. Está presente em todos os organismos vivos e também transporta diversos compostos nutritivos para dentro do solo, movimenta turbinas na produção de energia elétrica, ajuda a controlar a temperatura de nossa atmosfera e cumpre uma série de outras funções de extremo valor.
Para MAGOSSI e BONACELLA (2003, pg. 15).
Atualmente a maior discussão sobre os problemas ambientais do planeta está voltada para a água, ou melhor, para a falta de água. Os cientistas alertam que o problema da falta de água não se deve à ausência de chuvas, mas sim ao tipo de desenvolvimento que temos escolhido praticamente desde a Revolução Industrial, baseado no lucro imediato sem planejamento das ações humanas.

Ou seja, uma série de agressões contra a natureza e seus recursos, principalmente a água e seu ciclo, vem ocorrendo. Como citado anteriormente, o rápido crescimento populacional e o descaso da população no consumo da água são os maiores vilões.
Diante da função social da escola de conscientizar o aluno quanto ao seu comportamento social, devemos desenvolver estratégias capazes de alcançar os objetivos de preservação da água e de seu consumo consciente. Através de um saber sistematizado e globalizado, favoreceremos uma aprendizagem significativa, contextualizada.
Segundo o livro CIESC (2003 pg. 98):
Vivemos em um planeta cuja área ocupada pela água é três vezes maior do que a ocupada pela terra, sendo assim faz-se necessário uma reflexão a respeito do tema, pois apenas uma pequena quantidade é própria para o consumo humano, portanto são de fundamental importância a preservação e uso racional desse importante recurso natural renovável.

O crescente agravamento da falta de água deve ser explorado e divulgado amplamente para que a população se mobilize e estabeleçam uma nova forma de pensar e agir, como mudanças de hábitos, usos e costumes. Esse novo pensar e agir, visa o crescimento econômico que respeite a capacidade dos recursos do meio ambiente, sobretudo a água. A conscientização e a educação do povo, do consumidor, são fundamentais.
Usar este recurso natural sem desperdício considerá-la uma prioridade social e ambiental gera com que a água potável e saudável nunca falte em nossas torneiras.
Ainda citando o CIESC (2005 pg. 30):
Na verdade o ser humano constrói histórico e socialmente sua relação com o meio ambiente, com todos os conflitos e lutas de interesses, diante dos quais, a problemática ambiental passa a ter importância quando há riscos de esgotar os recursos naturais; é desabonadora para qualquer atividade econômica ou quando sua ação se constitui um problema onde a continuidade da espécie humana está em jogo.

É necessário desenvolver em nossos educandos atitudes que contemplem a necessidade crescente de defender a espécie humana e todos os seres vivos, tentando unir o progresso e a ecologia num modelo de desenvolvimento sustentável priorizando a melhoria da qualidade de vida.
No que se refere aos textos apresentados e produzidos, fossem eles orais ou escritos, focamos tais produções como objetos de ensino no pensar e no fazer.
Segundo Rojo e Cordeiro o foco a ser dado aos textos deve evidenciar mais do que propriedades formais em seu contexto de produção e escrita, deve ser o suporte aos funcionamentos cognitivos. Ela parte da ideia de construir relações textuais que possuam funções sociais e sentido para o aluno. Assim, é importante e necessário tentar procurar contextos sociais para que o aluno crie inferências, isso é, dialogue com o um conhecimento prévio construído por meio de atividades contextualizadas, com funções sociais distintas. Através dos textos de conscientização (panfletos, textos informativos, etc.) que tratavam do assunto de preservação da água os alunos expressaram uma consciência e uma preocupação de economizar a água, tal construção cognitiva anterior faz sentido, é significativa, pois é o resultado do trabalho que não está calcado apenas na escola, mas faz parte do dia a dia dos alunos.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

As realizações das atividades possibilitaram aos alunos a sistematização de seus conhecimentos por meio das habilidades de observação, de experimentação, de comparação, de estabelecimento de relações entre o antes e o depois.
O seguinte projeto foi realizado com as turmas de 2º ano B e C, tendo por faixa etária alunos de 6 a 7 anos de idade, turno tarde.
Iniciamos o projeto com uma investigação, através de discussões em sala, sobre os conhecimentos prévios dos alunos em relação ao tema em questão. Em seguida, os educandos assistiram, em Power point, dois vídeos sobre a água: o primeiro trata da água limpa e de seu uso em diversos ambientes. O segundo trouxe como tema a Carta de 2070, que trata dos prejuízos que podem ocorrer com a falta do líquido em nosso planeta. Novamente iniciou-se uma discussão para saber a opinião dos alunos sobre os vídeos assistidos. Foi grande a comoção dos alunos frente à realidade apresentada nos vídeos.
Em continuidade as atividades relacionadas ao projeto, as professoras instigaram o processo de conscientização dos alunos, solicitou-se aos alunos que produzissem um texto sobre os cuidados com a água e a importância dela em nossa existência. Os textos produzidos foram extremamente criativos e o tema internalizado nas crianças.
Os alunos com a orientação das professoras realizaram uma pesquisa com a família sobre como cada um cuida e evita o desperdício da água. O registro foi feito no caderno das crianças através de tópicos.
Foi trabalhado com a música Planeta Água, autoria de Guilherme Arantes. Os alunos receberam a letra, realizaram leitura da mesma e depois ouviram a música. As palavras de difícil entendimento aos alunos foram pesquisadas no dicionário e depois registraram no caderno, através desta atividade foi possível trabalhar com a ampliação de vocabulário dos mesmos. Questionamentos foram realizados sobre o porquê de a música receber este nome e sobre a mensagem transmitida pela letra da canção.
Também foi proposto aos alunos a criação de um logotipo para representar o projeto da turma e através de votação entre os educandos foi escolhido o logotipo. O trabalho eleito foi exposto no mural da sala de aula. Os alunos trouxeram imagens e textos com informações sobre a água para confecção dos cartazes para serem expostos na escola.
Outra atividade foi a criação dos Agentes da Água, alunos responsáveis pela observação da utilização da água durante o recreio de todas as turmas. Cada dia as professoras escolhiam três alunos. Estes fizeram à observação e depois, relataram na sala para os colegas, as situações de uso dos bebedouros e banheiros no momento do recreio. Essa atividade teve como objetivo um pedido de colaboração a todos os demais alunos da escola, para que evitem o mau uso da água nos ambientes de acesso aos mesmos.
Os alunos criaram, em duplas, panfletos de conscientização do uso da água, que foram entregues para as demais turmas. Tais panfletos continham informações sobre os cuidados com a água e o que devemos fazer para preservá-la. Posteriormente, outra pesquisa foi realizada com a família dos alunos envolvidos diretamente no projeto. Duas perguntas estavam propostas: Você acredita que a água potável possa acabar um dia? Você tem o hábito de economizar água? As alternativas para as questões deviam ser respondidas através de sim ou não. Com o retorno da pesquisa, os alunos sob orientação das professoras elaboraram uma tabela com as respostas e os resultados expostos nos murais da escola. Foi organizado um momento de conversa para os alunos exporem as descobertas realizadas com a pesquisa. Os alunos demonstraram uma postura crítica ao observarem seu ambiente familiar.
As professoras selecionaram também textos informativos sobre a poluição da água e questionamentos referentes aos mesmos. Foi utilizado ainda, o texto dos Direitos Universais da Água, anexando uma cópia do mesmo à tabela da pesquisa anterior. Realizou-se atividade oral sobre cada um dos direitos, e posteriormente cada aluno escolheu o direito da água que mais achou interessante e fez um desenho sobre ele. Criamos acrósticos com a palavra ÁGUA e cada aluno desenvolveu atividade de acordo com sua criatividade, e ainda como ferramentas, usou-se o laboratório de informática para pesquisar sobre o ciclo da água.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse trabalho abordou-se a questão da água através de problematizações que despertaram a compreensão dos cuidados e preservação com ela, desenvolvendo habilidades que levaram os alunos a serem multiplicadores dos conhecimentos adquiridos, dentro e fora da escola. Desta forma, foi grande o estímulo e empenho na procura de soluções, o que constitui um aspecto fundamental para os cuidados com este líquido tão precioso e fundamental para a existência de vida no planeta. Professoras e alunas assumiram assim, o compromisso com a preservação da água e a aquisição de conceitos para uma atuação mais consciente referente ao meio ambiente.
O trabalho com este projeto significou a busca por uma mudança de postura, uma forma de repensar as ações do cotidiano, possibilitando o envolvimento, a cooperação e a solidariedade entre alunos e familiares no intuito de, transformar positivamente, a realidade a partir das descobertas realizadas.
O trabalho na área de português foi importante para os alunos, pois eles melhoraram a oralidade e sua produção textual através de textos que faziam sentido em sua prática, como: folhetos, textos informativos, acrósticos, etc.

5 REFERÊNCIAS

BONACELLA, Paulo Henrique; MAGOSSI, Luiz Roberto. Poluição das águas. São Paulo: Moderna, 2003.

CIESC – Conhecimento promovendo vida, paz e solidariedade. Curitiba: EDIESC, 2003.

CIESC – Conhecimento promovendo vida, paz e solidariedade. Curitiba: EDIESC, 2005.

CORDEIRO, Glais Sales; Rojo, Roxane. Gêneros orais e escritos como objetos de ensino: Modo de pensar, modo de fazer

Leia mais em: http://www.webartigos.com/articles/74757/1/AGUA-QUE-TE-QUERO-AGUA/pagina1.html#ixzz1VsiR6iIr

Autora: Elizabete Aparecida Sola Franco – Colaboradora Especial Ambiental Sustentável (eliza.sola@ig.com.br)

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