Agricultura e biodiversidade: uma união possível

Há um confronto permanente entre a preservação da biodiversidade e a agricultura. Isso porque as atividades agrícolas responsáveis, principalmente, pela obtenção do alimento, sempre exerceram uma das maiores pressões ambientais, pois utilizam inadequadamente os recursos naturais, promovendo grande degradação ambiental com a destruição de habitats e espécies.

E o que fazer para se ter uma agricultura menos agressiva? Segundo João Paulo Feijão Teixeira, pesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas, a Agenda 21 resultado da Eco 92 sinaliza a direção. O caminho deve ser o do modelo agroecológico, que permite a incorporação das três dimensões da sustentabilidade – ecológica, econômica e social – possibilitando dessa forma uma orientação do desenvolvimento agrícola mais harmoniosa.

De acordo com o pesquisador, uma agricultura eco-friendly envolve diversos fatores, entre eles:

* Incentivos para recuperação e preservação ambiental nas áreas rurais;
* Respeito ao funcionamento dos agroecossistemas;
* Incentivos para o efetivo uso do potencial natural das terras e programas de ciência e tecnologia voltados à sustentabilidade da agricultura;
* Satisfação das necessidades humanas do presente e das futuras gerações.
As possibilidades

A utilização de energias renováveis para o cultivo é um exemplo na obtenção de múltiplas vantagens para o ambiente e a economia. De absorção microbiana até a energia solar, as fontes renováveis têm uma grande contribuição na transformação das perspectivas da agricultura.

Atualmente até os resíduos agrícolas podem ser reaproveitados. Já existem tecnologias que os transformam em biogás, que ainda serve como fonte de energia. Matéria-primas, como cascas de queijo ou arroz, podem ser usadas para gerar eletricidade. O uso extensivo de digestores anaeróbios também está em tendência para a produção de biogás a partir de resíduos animais. Além de gerar energia, esses resíduos são tratados por micróbios para a produção de fertilizantes.

Uma agricultura sustentável ajuda a:

* Proteger as futuras gerações;
* Prevenir a erosão do solo;
* Proteger a qualidade da água;
* Rejeitar alimentos com agrotóxicos;
* Melhorar a saúde dos agricultores;
* Aumentar a renda dos pequenos agricultores (agricultura familiar, comércio justo);
* Apoiar os pequenos agricultores;
* Prevenir gastos futuros;
* Promover a biodiversidade;
* Descobrir sabores naturais;
* Contribuir para o fim do envenenamento por pesticidas de milhares de agricultores.

Fonte: EcoD

O modelo agroecológico permite a incorporação das três dimensões da sustentabilidade, a ecológica, econômica e social. Foto: Sxc.hu

O modelo agroecológico permite a incorporação das três dimensões da sustentabilidade, a ecológica, econômica e social. Foto: Sxc.hu

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