Acidente em Fukushima não conteve expansão nuclear global, diz relatório

A Ásia deve continuar ampliando fortemente seu parque nuclear, apesar do acidente do ano passado na usina japonesa de Fukushima, pelo fato de essa fonte energética não ser emissora de carbono, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (26) por organizações internacionais.

Depois do terremoto e do tsunami, o Japão desativou temporariamente seus 50 reatores nucleares. Na Europa, a Alemanha decidiu abandonar até 2022 o uso dessas usinas. Outros países também passaram a ver essa matriz energética com desconfiança.

Mesmo assim, a capacidade nuclear mundial deve crescer de 44% a 99% até 2035, segundo o relatório da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Na edição anterior, há dois anos, a previsão era de uma expansão entre 37% e 110%. O relatório, conhecido como “Livro Vermelho”, aborda especificamente o urânio, do ponto de vista dos recursos, da produção e da demanda.

“Vemos (o acidente) como um redutor de velocidade”, disse Gary Dyck, diretor de materiais e ciclo do combustível nuclear da AIEA. “Ainda esperamos um enorme crescimento na China”, destacou.

Foto aérea mostra guindaste trabalhando no reator danificado na usina nuclear em Fukushima, no Japão. (Foto: Kyodo News/AP)Foto aérea mostra guindaste trabalhando no reator danificado da usina de Fukushima (Foto: Kyodo News/AP)

Na Ásia, segundo o relatório, a capacidade nuclear deve crescer entre 125% e 185% até 2035. China, Índia, Coreia do Sul e Rússia devem puxar essa tendência.

O estudo também diz que o setor de mineração deve ser capaz de suprir a crescente demanda mundial por urânio, desde que continue recebendo investimentos. Em 2009 e 2010, foram gastos mais de R$ 4 bilhões em prospecção e desenvolvimento de minas, o que permitiu um aumento de 12,5% nos recursos existentes.

A partir do ano que vem, as usinas nucleares vão depender ainda mais da extração de urânio do solo, já que terminará um contrato da Rússia para abastecer os EUA com urânio retirado de armas desativadas. Muitos investidores preveem uma alta no preço do urânio por causa disso.

Mas Robert Vance, funcionário da Agência de Energia Nuclear da OCDE, afirmou que outras fontes secundárias de urânio podem ser desenvolvidas. “Continua havendo uma quantidade significativa de urânio previamente extraído (…), parte dele poderia ser colocada no mercado de maneira controlada e viável”, disse o relatório.

O urânio, que era cotado a R$ 140 por peso em libra depois do acidente de Fukushima, está atualmente ligeiramente acima dos R$ 100 por peso em libra.

Fonte: G1

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Foto aérea mostra guindaste trabalhando no reator danificado da usina de Fukushima (Foto: Kyodo News/AP)

Foto aérea mostra guindaste trabalhando no reator danificado da usina de Fukushima (Foto: Kyodo News/AP)

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