Sete Bilhões de Seres Humanos no Planeta

A Ásia, onde vivem dois terços da população mundial, recebeu simbolicamente no dia 31 de outubro, o ser humano número sete bilhões: uma pequena filipina de nome Danica, cujo nascimento foi celebrado em Manila e ilustra os desafios planetários de crescimento demográfico. A população mundial chegou nesse dia 31 de outubro de 2011, à marca dos sete bilhões de pessoas, segundo estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas), e segue crescendo em uma velocidade fora da programação feita para o terceiro milênio.

Essa nova cifra representa um incremento de um bilhão de pessoas, em relação ao número anunciado à meia noite do dia 12 de outubro de 1999, quando a ONU nomeou o recém-nascido Adnan Mevic, da Bósnia, como o terráqueo de número seis bilhões. Esses doze anos que separam as duas pesquisas com aumento populacional de um bilhão de pessoas no planeta, poderia ter anunciado o dobro desse aumento, se a China, país mais populoso do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, não tivesse mantido sua rígida política de permitir apenas um filho por casal, medida que já evitou o nascimento de 500 mil chineses nas três décadas da sua adoção.

Em 2050, esse número deve alcançar dez bilhões de humanos e, de acordo com projeções feitas por vários institutos de pesquisas, o crescimento populacional do planeta, ainda anda a um ritmo sem precedentes, antes do século XX. Entretanto, vem registrando uma razoável queda em relação aos índices planejados antes de 1963. A população mundial está em explosão demográfica desde a Revolução Industrial que começou na Inglaterra em meados do século XVIII, não tendo ainda como controlá-la.

Em 2002, a “Population Reference Bureau” (organização sem fins lucrativos especializada em estudos demográficos) publicou uma estimativa onde afirma que mais de 106 bilhões de pessoas já viveram na Terra. A estimativa foi classificada pelo próprio autor como semi-científica, dada a falta de dados demográficos para 99% do período desde o qual a espécie humana existe no planeta.

“O mundo e seus sete bilhões de habitantes formam um conjunto complexo de tendências e paradoxos, mas o crescimento demográfico faz parte das verdades essenciais em escala mundial”, disse a representante do UNFPA (Fundo das Nações Unidas para a População) nas Filipinas, Ugochi Daniels. Em 1950, a Terra estava com 2,5 bilhões de humano. O salto para sete bilhões foi rápido, talvez rápido demais. E os desafios que se põem à frente são enormes. O padrão de consumo de alimentos em quantidade suficiente, de boas oportunidades na vida de emprego e educação, direitos e a própria liberdade de criar seus filhos, de bens industrializados e de energia, a poluição e o lixo produzidos, o esgotamento dos recursos naturais, especialmente a água e o limite da capacidade de suporte da biosfera, são apenas alguns desses desafios.

Os avanços da medicina, responsáveis pelo retardamento no envelhecimento, serão igualmente responsáveis pelo crescimento contínuo da população nas próximas décadas, ao ponto de colocar no planeta 15 bilhões de pessoas no final do século XXI, fato que resulta em um ambiente de tensão previsível, caso as condições de oferta de empregos não sejam melhoradas e ampliadas para atender às necessidades dessa fatia da população.
Outra preocupação que vem à tona é o avanço do time dos cabelos brancos que chega hoje a 900 milhões na terra e, da maneira como vem crescendo, em 2050 atingirá a cifra dos 2,4 bilhões de indivíduos com mais de 60 anos. Num cenário com tantos jovens inundando o mercado de trabalho, para que a conta previdenciária feche, será inevitável a revisão do tempo de aposentadoria, alargando-se o período da vida produtiva.
Esses e outros problemas indicam que o padrão de consumo atual será freado até o meio do presente século, tendência preocupante, vez que, nestes termos, o crescimento demográfico representa, sem sombra de dúvidas, um sinal de alerta para as próximas gerações. Mais do que nunca, sem o planejamento adequado, o futuro reserva dias difíceis para a espécie humana na Terra.

GONZAGA PATRIOTA,
é Contador, Advogado, Administrador de Empresas e Jornalista, Pós- Graduado em Ciência Política e Mestre em Ciência Política e Políticas Públicas e Governo e Doutorando em Direito Civil pela Universidade Federal da Argentina.

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