Relatorio denuncia violação de direitos humanos em extração de urânio em Caetité

A cidade possui um terço de toda a reserva de urânio do país. Uma comissão investigará o caso

Os laudos que apontam contaminação por urânio são do órgão estadual Ingá (Instituto de Gestão das Águas e Clima). Num raio de 20 km da mina, os poços começaram a ser pesquisados no final de 2008, quando um deles foi fechado. Desde então, Caetité vive uma guerra de informação, que prejudica produtores, atemoriza parte da população de 46 mil habitantes e põe em xeque a retomada do programa nuclear brasileiro pelo governo federal. Por Élcio Magalhães _ 17/08/10

Um relatório com denúncias da população de Caetité, a 750 km de Salvador, sobre contaminação da água, falta de transparência e violação dos direitos humanos na extração de urânio na cidade foi lançado na última quinta-feira (6) pela Plataforma Brasileira dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca). A entrega do texto foi realizada durante uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em Brasília. A cidade baiana é responsável por abrigar um terço de toda a reserva de urânio do país, com mais de 100 mil toneladas do mineral.

“As principais reclamações da população se referem à questão da água. A população não tem informações fidedignas nem suficientes para se sentir tranquila em relação a sua saúde. Há uma incidência muito grande de cânceres na região, particularmente de leucemia, que é uma doença muito associada à exposição radioativa”, disse a relatora responsável pelo caso Marijane Vieira Lisboa. Além disso, os moradores também reclamaram da falta de água e das más condições de trabalho para os funcionários da mineração.

Contradições
Os relatos da população presentes no relatório geraram discordância nos empresários que exploram o setor na área. De acordo com presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Trajan Filho, responsável pela mineração de urânio, é falsa a afirmação de que a aguá esteja contaminada. “Isso jamais existiu. A água que está lá é a mesma água que estava há 400 milhões de anos, quando se formou aquela geologia”, disse.

Ele também transferiu a responsabilidade por qualquer tipo de contaminação que possa existir para a administração pública. “Se a água contém urânio acima do limite que não é saudável para a população, o poço deve ser isolado e não deve ser usado. Não cabe ao INB como instituição – a INB ajuda no que pode ajudar -, mas aos governos o atendimento das necessidades básicas”, finalizou.

Um estudo, que vem sendo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz no local, ainda não encontrou indicios de contaminação por radiação de urânio na cidade. Apesar disso, o resultado final só será apresentado no final de 2012. Um grupo da própria Comissão de Meio Ambiente deverá ser formado ainda esse ano para visitar o município.

Fonte : CORREIO _ Redação iBAHIA

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