Quanto mais próximo dos polos, maior o cérebro humano

Tamanho, contudo, não revela maior inteligência. Olhos e cérebro maiores compensaram escassez de luz típica de áreas distantes do equador

Pesquisa: cérebro humano cresceu em regiões de alta latitude para lidar com mais informação visual (Hemera)

Pesquisadores britânicos se debruçaram sobre 55 crânios humanos provenientes de 12 populações ao redor do globo e chegaram a uma inusitada conclusão: quanto mais longe o povo vive do equador do planeta, maior o tamanho do cérebro de seus indivíduos.

Isso não acontece porque populações nativas de áreas mais próximas aos pólos são mais inteligentes. A tese de cientistas da Universidade de Oxford, em artigo publicado no periódicoBiology Letters, é que elas precisaram de olhos maiores para compensar a escassez de luz natural e, por isso, de cérebros mais robustos para lidar com a maior quantidade de informação visual. Tudo seria, portanto, consequência do fato de que, à medida que nos afastamos do equador, há menos luz natural disponível.

Os crânios usados no estudo são provenientes de indivíduos que viveram no século XIX e incluem amostras de povos nativos da Inglaterra, Austrália, Ilhas Canário, China, França, Índia, Quênia, Micronésia, Escandinávia, Somália, Uganda e Estados Unidos. Os pesquisadores compararam o volume das órbitas e das cavidades cerebrais com a latitude do país de origem de cada indivíduo: o tamanho do cérebro e dos olhos pode ser diretamente relacionado à posição do local onde ele vivia.

“Os seres humanos ocupam as altas latitudes da Europa e Ásia há apenas dezenas de milhares de anos, mesmo assim conseguiram adaptar o sistema visual rapidamente ao ambiente nublado e aos longos invernos”, disse o cientista Robin Dunbar, que participou da pesquisa. Na prática, os seres humanos mais adaptados a viver naqueles ambientes, isto é, com olhos e cérebros maiores, prosperaram ali.

A partir do estudo, os pesquisadores concluíram que os maiores cérebros pertencem às populações da que viveram na Escandinávia e os menores, aos que habitaram a Micronésia.

Fonte : VEJA_Ciência

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