P+R: O que significa o acordo climático da ONU para os investimentos verdes?

Mais de 190 países firmaram um acordo de última hora no domingo (11) para mitigar aquecimento global, que deve obrigar juridicamente países desenvolvidos e emergentes a cortes de emissões nos gases do efeito estufa.

Negociações começarão no próximo ano para um novo acordo , que deve ser assinado o mais tardar em 2015, mas os compromissos não entrarão em vigor até 2020.

Abaixo estão perguntas-chave para investidores de energia de baixo carbono.

Pergunta: O acordo estimulará investimentos em baixo carbono?

Resposta: Não em curto prazo.

Enquanto um acordo juridicamente obrigatório está sendo planejado pelos políticos, investimentos em fontes de energia renovável, como energia eólica e solar, ainda serão afetados pelo clima econômico, que está com dificuldades de levantar capital.

“É melhor do que nada, mas não abrirá portas nem permitirá que grandes quantias sejam investidas nos próximos anos”, disse Richard Nourse, gerente e sócio do fundo de investimento em energias renováveis Novusmodus.

Nos próximos anos, crescimentos significativos nos setores de energia renovável dependerão de que os governos nacionais deem sinais claros e consistentes de mercado aos investidores para que o capital do setor privado possa fluir na velocidade e escala necessárias.

“A UE e as políticas nacionais permanecerão sendo os principais direcionadores para investimentos em tecnologia limpa, pelo menos até que os detalhes e a força do comprometimento político internacional por trás do acordo se torne mais claro”, afirmou Richard Salomone, assessor de energia da organização EEF, do Reino Unido.

O HSBC estima que US$ 10 trilhões em despesas de capital serão necessários de 2010 a 2020 apenas para a energia de baixo carbono.

Mas um ambiente econômico ruim está forçando muitas firmas de energia limpa a adiar investimentos ou diversificar seus portfólios para sobreviver, e recordes de baixa nos preços do carbono não são suficientes para incentivar os investimentos da indústria em renováveis.

Fabricantes de painéis solares viram suas margens de lucro quase sumirem neste ano, à medida que os preços para sistemas de energia renovável caíram 40%, forçando alguns à bancarrota e outros a procurar fusões para sobreviver.

A energia eólica está lutando para competir com o gás natural, mais barato, e depende de apoio governamental.

P: E sobre os investimentos em longo prazo?

R: Em longo prazo, o surgimento de um acordo internacional poderia reforçar as políticas nacionais e ajudar a incentivar investimentos, declararam analistas.

No entanto, muito dependerá da forma exata do acordo internacional de 2015 e de quão profundos serão os cortes de emissões juridicamente obrigatórios dos países.

“Enquanto temos agora um roteiro e cronograma ambicioso, a destinação precisa permanece incerta. Mesmo a extensão do segundo compromisso sob o Protocolo de Quioto é incerta”, disseram analistas da PriceWaterhouse Coopers.

“Ainda há uma brecha de 40% entre a meta climática de dois graus e as metas de emissões até 2020. Atingir os dois graus exigirá uma revolução em como produzimos e usamos energia”.

Fundos de pensão têm sido frequentemente apontados como fontes enormes de capital, mas eles precisam de politicas muito mais fortes e consistentes antes de investir grandes somas de dinheiro em firmas de tecnologia limpa ou projetos específicos.

“Uma quantia significativa de capital do setor privado estaria disponível se mecanismos mudassem decisivamente o equilíbrio risco-retorno em favor de investimentos de baixo carbono”, afirmou Stephanie Pfeifer, diretora executiva do Grupo de Investidores Institucionais sobre Mudanças Climáticas, que representa 77 investidores climáticos com ativos que totalizam 7,5 trilhões de euros.

P: Qual é o impacto da segunda fase de Quioto?

R: A decisão de estender o Protocolo de Quioto para uma segunda fase a partir de 2013 foi inicialmente vista como um sinal positivo pelos investidores do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que dá a nações desenvolvidas e firmas compensações de carbono em troca de investimentos em projetos de corte de carbono em nações pobres.

Mas ainda há incertezas sobre se Quioto será estendido até 2017 ou 2020 e sobre quais compensações de carbono da ONU geradas pelo esquema ainda estariam elegíveis para o comércio.

“É cedo demais para determinar o valor desse resultado para qualquer um de nossos investimentos [nesse setor]”, declarou Max Slee, analista de energias alternativas na gestora de investimentos Ecofin, que tem US$ 1,9 bilhões em ativos sob gestão.

Investidores do MDL dizem que a União Europeia terá que esclarecer quais compensações serão aceitas em seu esquema de comércio de emissões para que a confiança do mercado aumente.

Desenvolvedores chineses de energia eólica podem se beneficiar dessa extensão.

“[Eles] atribuíram apenas uma pequena possibilidade da renda de carbono para fazendas eólicas registradas [no MDL] após 2012, mas a continuação de Quioto eleva muito essa possibilidade”, disse Alexander Ivanovitch, sócio e gerente de portfólio do fundo Environmental Investment Partnership.

“Isso tem riscos. Por exemplo, um novo registro de MDL pode restringir ou impor um limite de volume à China, o que poderia afetar o valor da renda de carbono da China”.

Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original (inglês)

Fonte: Reuters

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