Por ambiente, agência da ONU defende taxar transações financeiras

Por ambiente, agência da ONU defende taxar transações financeirasCobrança de 0,005% sobre negociações cambiais renderia US$ 40 bilhões por ano e poderia financiar investimentos em sustentabilidade ambiental nos países mais pobres. Imposto obrigaria quem tira proveito da globalização a ajudar quem não se beneficia, diz Relatório de desenvolvimento humano do Programa da ONU para o Desenvolvimento.

O relatório de desenvolvimento humano 2011 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nesta quarta feira (2), defende a cobrança de um imposto sobre movimentações financeiras internacionais como fonte de financiamento para ações de sustentabilidade global.

O estudo calcula que uma taxa de 0,005% aplicadas sobre negociações cambiais pelo mundo arrecadaria pelo menos US$ 40 bilhões por ano. Assim, proprocionaria um reforço de 30% naquilo que os países pobres receberam no ano passado na forma de “ajuda” – US$ 130 bilhões.

“O imposto possibilitaria que aqueles que mais se beneficiam com a globalização ajudassem os que menos se beneficiam”, afirma o relatório.

O documento estima que seriam necessários U$S 105 bilhões anuais só para financiar as adaptações necessárias às mudanças climáticas, especialmente na Ásia e na África. Os recursos seriam usados no investimento em fontes de energia renováveis e equipamentos modernos que garantissem, por exemplo, a não utilização de carvão como principal fonte de energia para o cozimento alimentar.

O estudo alerta também para a necessidade urgente de se providenciar acesso a energia elétrica para 1,5 bilhão de pessoas, de forma sustentável, sem aumento significativo nas emissões de carbono. O problema poderia ser resolvido com o investimento de apenas 15% do montante empregado atualmente em subsídios para combustíveis fósseis – cerca de US$ 312 bilhões, conforme dados de 2009.

Direitos dos mais pobres
De forma geral, o RDH propõe a alteração do modelo de desenvolvimento em direção a padrões de produção e consumo mais sustentáveis, respeitando o direito dos países mais pobres de também se desenvolverem.

“As aspirações de desenvolvimento dos pobres devem ser atendidas em uma estrutura de sustentabilidade global e local”, propõe o chefe do grupo de pesquisas do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) do Pnud em Nova York, José Pineda.

Isso porque o relatório comprova que os mais pobres sofrem privações ambientais múltiplas, medidas pelo Índice de Pobreza Multidimensional (IPM): 80% experimentam duas ou mais e 29%, três.

Quase 90% não têm acesso a combustíveis modernos para cozinhar, 80% não tem saneamento adequado e 35% não tem água potável. Em diversos estados árabes, mais de 60% enfrentam a falta de água.

Além disso, os desafios ambientais restringem a matrícula e o progresso educacional, matam 11 vezes mais pessoas nos países com baixo IDH e, a cada ano, causam a morte de 3 milhões de crianças com menos de 5 anos.

Fonte : CARTA MAIOR

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