Poda radical de árvores vira filme para sensibilizar

Por todo o Centro Histórico,a imagem das árvores ameaçadas pela poda. Foto : arquivo /Tribuna de Petrópolis/Avenida Koeler

A poda radical de árvores que vem desagradando os petropolitanos e modificando a paisagem de tradicionais ruas do Centro Histórico de Petrópolis, como a tombada Avenida Koeler e vias de acesso ao Centro como as ruas Roberto Silveira e Imperatriz, é o tema de um vídeo que tem o objetivo de sensibilizar autoridades e  mobilizar os petropolitanos a cobrar o fim do corte de toda a folhagem das árvores, que se repete ano após ano. Intitulado Dia da Árvore, o clip foi produzido pelo Canal da Televisual Filmes e está disponível no endereço eletrônico http://www.youtube.com/watch?v=3vCUUce2Rjk.
“O que está acontecendo com as árvores em Petrópolis é muito grave. Essa poda radical mutila as árvores. A intenção desse vídeo é  colocar esse assunto em discussão e fazer com que as pessoas se mobilizem e mostrem sua indignação. A arborização tem um impacto direto no clima. O que está sendo feito com as nossas árvores contribui para a mudança do clima na nossa cidade e modifica as características de Petrópolis, causa um dano irreversível.  Sabemos que este processo não é novo. Temos visto esta poda radical nas árvores se repetir nos últimos 10 anos. Nosso objetivo com esse clipe é levar as pessoas a refletir, a avaliar como elas querem ver a cidade em que vivem daqui a cinco ou 10 anos”, disse o diretor de Criação da Televisual, Heber Lobato Jr.
O diretor explica que esta não é a primeira vez que o tema é registrado em imagens. “Em 2010, lançamos um primeiro alerta pra esse problema com o clipe Isso é Poda?. Na ocasião, convidamos pessoas que entendem do assunto e os cidadãos a opinar. Recebemos mensagens de apoio de todas as partes do mundo. Através das imagens, especialistas foram categóricos em afirmar que o que está acontecendo em Petrópolis não tem justificativa técnica, mas isso não serviu para sensibilizar a Prefeitura, que deveria ser responsável por cuidar e proteger essas árvores. O mínimo que se esperava é que se buscasse a avaliação de outros técnicos, mas isso não aconteceu”, afirma.
As cenas que aparecem no novo vídeo foram feitas durante o inverno desse ano, quando a poda das árvores do Centro Histórico foi percebida pelos moradores. “No clipe, a neblina típica de Petrópolis foi captada nas cenas que mostram as árvores completamente sem folhagem ao longo de vias importantes. Usamos a própria natureza para reforçar o clima de horror que as imagens daquelas árvores passam pra todos nós que amamos Petrópolis”, explica Marcelo Filgueiras, diretor de produção da empresa.
“Qualquer cidadão mais atento percebe que nos últimos 10 anos as árvores do Centro Histórico estão ficando com galhos e folhagens cada vez mais ralos e, em muitos casos, ganhando aspecto grotesco, bem diverso do que é típico nas suas espécies. Há questionamentos, inclusive, quanto a, por trás dessa prática, haver o interesse direto em reduzir a cobertura vegetal para beneficiar o fornecimento de energia elétrica o que, se comprovado, seria um escândalo. O que nos resta então é continuar mostrando o que está ocorrendo e esperar que se forme uma consciência coletiva grande o suficiente para cobrar as medidas cabíveis”, avalia Heber Lobato Jr.

 

Reclamação fez com que azaléias escapassem da poda

Foram necessários mais de três anos de insistência junto aos órgãos públicos até que o petropolitano Jorge Coelho conseguisse que as azaléias plantadas em jardineiras de vias públicas da cidade escapassem da poda fora de época e voltassem a florir. “A poda das azaléias deve ser feita no fim do ano, após a floração, que acontece em outubro. Durante anos esse trabalho foi feito de forma errada, em junho, na época em que os botões começavam a se formar. Eles eram cortados na poda e na época certa as plantas não floresciam.  Outro detalhe que não era observado era que somente as azaléias maiores precisam ser podadas. Aquelas muito pequenas, se forem podadas morrem”, explica Jorge, frisando que durante anos se dedicou ao cuidado de jardim na casa de campo que possui na cidade.
Ele critica também o tipo de poda que vem sendo feito nas árvores da cidade. “Em algumas  ruas, como na rua do Petropolitano (Av. Roberto Silveira), por exemplo, algumas árvores ficaram só no esqueleto”, critica.

Fonte : JAQUELINE RIBEIRO_TRIBUNA de PETRÓPOLIS
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