Memória torna elefantas ‘especialistas em redes sociais’

Estrutura de manadas pode até variar ao longo do tempo, mas antigas ‘amizades’ são mantidas e vitais em tempos difíceis

Elefantas tendem a relembrar amizades antigas em temporadas difíceis (Thinkstock)

Elefantas são conhecidas por sua extraordinária memória em relação a inimigos, mas não só: na verdade, elas podem também manter-se ligadas a amigos. Em artigo publicado no periódicoBMC Ecology, pesquisadores mostram que a rede social desses animais pode ser muito mais dinâmica do que se supunha, moldada por preferências definidas a partir de experiências.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores avaliaram durante vinte meses as “amizades” de mais de cem fêmeas que vivem no Uda Walawe National Park, no Sri Lanka. O objetivo era analisar de que forma os relacionamentos dos animais são substituídos ao longo do tempo.

A observação revelou que os grupos de elefantes, em geral pequenos e centralizados em três fêmeas, podem reunir na verdade até 17 membros (o macho adulto percorre seu caminho de forma independente). Algumas fêmeas são muito instáveis, mudando frequentemente de amizade: na prática, 16% delas escolheram novas “melhores amigas” durante o estudo. Contudo, permanece um pequeno grupo de fiéis “amigos”.

A análise mostrou ainda que as manadas tendem a se associar a conjuntos sociais maiores, especialmente em temporadas mais secas. A explicação estaria na resposta à escassez de recursos, pois grupos maiores afastam “estranhos”.

O autor principal do artigo, Shermin de Silva, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, explica que “elefantes são capazes de seguir outros que estão à grande distância por meio de chamados e cheiro”. Isso mostra que a memória é capaz de manter uma rede social muito maior, embora fragmentada pelo espaço físico. “Nosso trabalho mostra que eles são capazes de reconhecer seus amigos e relembrar as relações mesmo depois de um longo tempo separados.”

Fonte: VEJA

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