Estudo demonstra efetividade da adaptação climática através de estratégias ecossistêmicas

O Centro de Monitoramento da Conservação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em colaboração com a BirdLife International, Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento e a Universidade de Cambridge lançaram uma revisão ressaltando a efetividade de abordagens para adaptação baseadas nos ecossistemas (EbA – ecosystem-based approaches to adaptation).

As EbAs integram o uso da biodiversidade e os serviços ecossistêmicos em uma estratégia geral de adaptação das populações às mudanças do clima. Como muitas lições podem ser aprendidas com práticas tradicionais de gestão dos recursos naturais e agroecologia, o grupo defende a inclusão das EbAs nos programas nacionais de adaptação.

“A adaptação planejada às mudanças do clima pode ser alcançada de diversas maneiras. Uma resposta típica é o investimento em infraestrutura concreta, como barreiras para enchentes. Porém, estas soluções de engenharia podem acabar trabalhando contra a natureza, especialmente quando o objetivo é restringir processos ecológicos importantes, como cheias anuais de rios e transporte costeiro de sedimentos. Uma alternativa é considerar a EbA, que trabalha a favor e não contra os ecossistemas e a biodiversidade”, explicou.

Alguns exemplos de EbAs são: a defesa da linha de costa através da manutenção e/ou restauração da vegetação; gestão sustentável de áreas úmidas e planícies de inundação para manutenção do fluxo e qualidade hídricos; conservação e restauração de florestas e vegetação natural para estabilização de encostas e regulação do fluxo hídrico (evitando enchentes relâmpago e deslizamentos); implantação de sistemas agroflorestais saudáveis e diversos.

A abordagem está cada vez mais no centro das atenções de organizações de cunho conservacionista e também desenvolvimentista por ir muito além da simples redução direta do risco de desastres e da vulnerabilidade.

Examinando uma gama de iniciativas focadas em diversos tipos de ecossistemas, a revisão conclui que este é um método efetivo e merece maior atenção e apoio político para alcançar todo seu potencial. É preciso também mais pesquisas para desvendar pontos de aprimoramento e compreender os limites e limiares da abordagem.

Foram identificados 132 casos relevantes na literatura revisada, dos quais 81 foram selecionados para as análises. A maioria dos estudos revisados exploram EbAs em ecossistemas artificiais, como pastagens, plantações e áreas urbanas. Entre os principais impactos tratados efetivamente pelas EbAs estão casos de cobertura de biomassa e perda de produtividade (28%), secas (25%) e enchentes e qualidade da água (16%).

A maioria dos estudos analisados apresentaram benefícios ambientais e sociais, sendo que muito poucos lidam com suas vantagens econômicas e custos das EbAs.

O relatório completo com todos os resultados das pesquisas está sendo finalizado, portanto uma minuta preliminar foi lançada a tempo de contribuir com as discussões climáticas em Durban e pode ser acessada aqui (em inglês)

Fonte: Instituto Carbono Brasil

Imagem: Entorno da Estação Ecológica de Carijós, ecossistema de manguezal, por Fabricio Basilio

Imagem: Entorno da Estação Ecológica de Carijós, ecossistema de manguezal, por Fabricio Basilio

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