Documentário ‘Criança, a Alma do Negócio’ alerta sobre os pequenos grandes consumidores

Documentário mostra como a ‘febre das compras’ aumenta cada vez mais o risco de obesidade e infelicidade entre crianças

Com apenas 4 ou 5 anos, elas vão maquiadas à escola. Muitas deixam de brincar de correr porque estão de salto alto. Assim como seus amiguinhos, sabem de cor o nome das marcas dos celulares no mercado, mas não têm a menor ideia do que é uma minhoca. É o que mostra o documentário ‘Criança, a Alma do Negócio’.

“O documentário reflete o comportamento da criança brasileira hoje. No filme, mostramos abobrinhas e chuchus às crianças e perguntamos o que era. Elas não sabiam”, conta Gabriela Vuolo, coordenadora do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, que apoiou a realização do filme. “Em compensação, sabem tudo sobre salgadinhos”, diz.

O consumismo e a publicidade voltada às crianças contribuem para a obesidade infantil. Estudo de 2007 da USP revelou que 82% dos comerciais de TV sugerem o consumo imediato de alimentos processados — 78% mostravam personagens infantis.


“Hoje, uma em cada três crianças brasileiras têm sobrepeso. É óbvio que a publicidade tem relação com isso. Elas sentam em frente à TV, onde ficam por cerca de cinco horas diárias, e só consomem produtos industrializados. Não sabem o que é fruta”, afirma.

Segundo a diretora do filme, Estela Renner, o apelo ao consumo também pode ser prejudicial ao desenvolvimento psicológico. “As crianças são insaciáveis com relação ao ter. Uma pesquisa que fiz com 100 crianças mostrou que 80% preferem ir ao shopping do que brincar no parque”, diz Estela.

O lançamento, com entrada gratuita, é na R. das Laranjeiras, 180, às 10h. Haverá debate proposto pelo Curso de Especialização em Atenção Integral em Saúde Materno Infantil.

Pais precisam impor limites

De acordo com Gabriela Vuolo, o estímulo ao consumo também afeta as relações sociais infantis. Só é ‘popular’ quem tem os brinquedos e as roupas da moda. “Nas escolas, ocorre discriminação, bullying. Quem não se veste ou usa os objetos anunciados na televisão acaba sendo excluído”, ressalta.

A solução, segundo a especialista, é impor limites. Mas sem se sentir culpado.“Os pais não precisam ter medo de dizer não. Impor limites é educar. Além disso, eles precisam reduzir o tempo que a criança passa em frente à televisão e dialogar com os filhos para ensinar o mal que a propaganda faz”, orienta.

Reportagem de Clarissa Mello, em O Dia Online.

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