Campanha cobra empresas por envenenamentos

Em ato político com deputados federais, a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida cobrou, na noite desta terça-feira (7), em Brasília, o avanço da pauta no âmbito legislativo. “Precisamos avançar em legislação, seja federal, estaduais ou municipais. Se não der para mudar a lei, que usem a tribuna das casas legislativas para denunciar”, afirmou para os parlamentares presentes, o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organização que integra a campanha, João Pedro Stedile.

Como exemplo, Stedile citou a aprovação da lei, no município de Vila Valério, no norte do Espírito Santo, que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos.

O dirigente recordou que a campanha foi impulsionada logo após o anúncio de que o Brasil era líder mundial em consumo de agrotóxico, tendo jogado mais de 1 bilhão de litros de venenos nas lavouras em 2009, representando 25% do consumo dessas substâncias em todo o mundo, com apenas 50 milhões de hectares plantados. “Superamos a Índia que tem 400 milhões de hectares, a China que tem 250 milhões e os EUA, com mais de 170 milhões”, afirmou

De acordo com Stedile, o avanço dos casos de câncer nas mais diversas faixas etárias e, sobretudo, em agricultores e nas populações rurais com altos índices de aplicação do veneno deram ainda mais importância à campanha.

“Que o INSS cobre das empresas químicas os custos dos tratamentos de câncer que tem causado, na mesma lógica que passaram a cobrar os responsáveis pelos acidentes de trânsito.”

Os parlamentares presentes eram os deputados federais Luci Choinacki (PT-SC), Marcon (PT-RS), Elvino Bohn Gass (PT-RS) e Padre João (PT-MG), este último relator da subcomissão especial sobre uso de agrotóxicos da Câmara. De acordo com Padre João, a subcomissão foi criada com bastante apoio dos deputados à época da divulgação de estudos que comprovaram que o leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde – cidade da região central de Mato Grosso, em um dos principais municípios produtores de grãos deste estado – está contaminado por agrotóxicos. “Mas agora teremos muitas dificuldade para aprovar o relatório. Há deputados que já recuaram devido às pressões do Sindag [Sindicato Nacional de Produtos para Defesa Agrícola]. Mas nós queremos aprová-lo até o dia 24 deste mês”, declarou.

(Brasil de Fato)

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