Cacique é executado em comunidade indígena de Mato Grosso do Sul

Cerca de 40 pistoleiros são acusados de assassinar o líder de uma comunidade indígena que vive em um acampamento montado entre três fazendas do município de Amambai, em Mato Grosso do Sul. O crime aconteceu na manhã desta sexta-feira, 18, segundo informações passadas por integrantes da comunidade Guarani Kaiowá ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e confirmadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai).


Segundo os relatos do grupo, os matadores chegaram ao acampamento Tekoha Guaiviry por volta de 6h30. O cacique Nísio Gomes, de 59 anos, foi executado com tiros de calibre 12. Seu corpo foi levado pelos pistoleiros – prática comum em massacres contra os Kaiowá Guarani em Mato Grosso do Sul, de acordo com o Cimi. Não foram registradas outras mortes, mas a Funai confirmou que dois jovens e uma criança foram sequestrados pelos pistoleiros.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão”, disse ao Cimi um indígena que teria presenciado o ataque. Segundo ele, o cacique Nísio Gomes foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. Os relatos dão conta de que o filho de Nísio tentou impedir o assassinato e foi baleado com um tiro de borracha no peito.

Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. Os outros 50 integrantes da comunidade fugiram para a mata.

Representantes da Funai e do Ministério do Desenvolvimento Social foram ao acampamento para prestar assistência aos indígenas. Segundo o governo, policiais civis e federais estiveram no local para dar início ao inquérito policial.

O grupo Guarani Kaiowá ocupa desde o início do mês um acampamento montado em uma faixa de terra entre três fazendas próximas à fronteira entre Brasil e Paraguai. O território foi identificado como parte da Terra Indígena Amambaipeguá em 2008, mas ainda não foi demarcado pelo governo federal. A Funai informou que o processo administrativo foi paralisado diversas vezes devido a ações judiciais de produtores rurais e autoridades locais, mas está perto de ser concluído.

“Há um sério conflito por terras naquela região. Nos últimos oito anos, já contabilizamos mais de 200 assassinatos de indígenas no local”, afirmou ao estadão.com.br o secretário-adjunto do Cimi, Saulo Feitosa.

Bruno Boghossian, do estadão.com.br

Eliseu Lopes/Divulgação Cimi

Eliseu Lopes/Divulgação Cimi

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