Bugio é o mais barulhento

O Zôo SALVADOR festeja o nascimento de ´Galeguinho` ocorrido no dia 31 de março de 2007. Considerado um dos maiores primatas neotropicais encontrados na Mata Atlântica, o Bugio vive em bandos de 3 a 12 indivíduos e habita as copas das árvores. Na natureza, alimenta-se de brotos, folhas e flores, o que dificulta a sua criação em cativeiro. Está ameaçado de extinção, devido ao desmatamento do seu habitat, à caça, ao tráfico e à proximidade das habitações humanas que invadem seus territórios. Foto : Divulgação

O macaco-bugio (Alouatta clamitans) tem um gogó de fazer inveja. Seu grito potente pode ser ouvido a cerca de cinco quilômetros de distância. O som que emite, uma das características mais famosas da espécie, tem várias funções: serve para se comunicar com os integrantes do grupo e defender o território, por exemplo. Há até um tipo de música tradicional no Rio Grande do Sul chamado bugio cujo ritmo tenta imitar seu grito com a sanfona.

Conhecido também como bugio-ruivo, guariba e barbado, é um dos maiores primatas das florestas tropicais do continente americano. Mede entre 45 cm e 58,5 cm, sem contar a cauda, que varia de 48,5 cm a 67 cm. Pesa entre 4 e 7 kg. A pelagem do macho pode variar do vermelho ao marrom forte. Já a da fêmea é castanho escuro, quase preta. Como o próprio nome já indica, os dois têm pequena barba da cor do pelo.

É mais ativo durante o dia e no fim da tarde. Arborícola, passa a maior parte do tempo em cima das árvores. O rabo preensil o ajuda a se locomover por elas, pois tem a capacidade de enrolá-lo nos galhos, funcionando como quinta pata. No Brasil, vive principalmente na Mata Atlântica, da Bahia ao Rio Grande do Sul, em grupos de três a oito animais, em média, liderados por um macho. Também vive na Argentina.

Alimenta-se de folhas, frutos e flores. Por comer muitas fibras, tem de descansar um pouco após a refeição para fazer a digestão. O período de gestação varia entre 185 a 195 dias. Em geral, nasce apenas um filhote, que mama e é carregado pela mãe por quase dois anos. O bugio não corre risco de extinção, no entanto, a população tem diminuído por causa do crescimento das cidades e da destruição das matas; por isso, é cada vez mais visto nas áreas urbanas.

Sem risco de ser atropelado ao atravessar a avenida

Muitos animais vivem livres na mata do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, do qual o Zoológico de São Paulo faz parte. Entre eles estão bugio, bicho-preguiça e gambá. O problema é que a área é cortada por uma avenida pela qual passa grande quantidade de veículos. Até pouco tempo, bichos eram atropelados com frequência. Mas uma invenção tem salvado a vida de muitos. É a Transbugio, passarela que permite a travessia segura da bicharada. Feita de cordas e tubos plásticos, passa por cima da via a 10 m do chão. Os acidentes diminuíram muito, mas pena que não há alternativas parecidas em todas as rodovias que cortam as matas brasileiras. Muitos animais de diferentes espécies ainda morrem diariamente atropelados.

Muitos animais vivem livres na mata do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, do qual o Zoológico de São Paulo faz

A criação, no entanto, nem sempre impede que de vez em quando um filhote se machuque. Foi o que aconteceu com a pequena Buba (fotos). Com cerca de 30 dias, ela caiu durante a viagem de seu grupo pelas árvores. Encontrada por funcionários do Zoo, foi encaminhada para o serviço médico que notou uma patinha quebrada. Buba passou por cirurgia e, agora, já se movimenta sem dificuldade. Por enquanto, está sendo criada pelos biólogos do setor de mamíferos.

Fonte : Diário do Grande ABC

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