Área do lixão será monitorada por 15 anos

Esses passos são importantes para que no futuro a área possa ser reutilizada para outros empreendimentos

Foto: BRUNO HENRIQUE/CORREIO DO ESTADO Catadores que hoje atuam no lixão devem trabalhar na Usina de Processamento

A área do atual lixão de Campo Grande, também chamado de aterro controlado, deverá ser monitorada por cerca de 15 anos antes de ser destinada a qualquer outro tipo de empreendimento. Há pouco mais de um ano da ativação do aterro sanitário e da Usina de Processamento do Lixo (UPL), alguns trabalhos de recuperação da área do lixão já foram feitos, mas ainda há muito por fazer.

O engenheiro sanitarista Fábio Zavala Pauletto que pé consultor ambiental em uma empresa de Florianópolis (SC), explica que a desativação de um lixão “não é um processo fácil” e varia de acordo com o tamanho da cidade e da quantidade de lixo acumulada. “É difícil estipular um tempo para isso, mas a Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê que até 2014 todos os municípios do país não poderão mais ter lixões”.

O especialista enfatiza que uma série de medidas devem ser tomadas até que o lixão de Campo Grande seja extinto e o aterro sanitário comece a operar. “A coleta seletiva é obrigatória”. Mas além da coleta seletiva, que seria um dos passos mais importantes, também são necessários a instalação de sistemas de drenagem para a água das chuvas, chorume e metano no atual lixão. “Os conhecidos lixões são apenas depósitos de lixo, onde não existe qualquer cuidado na deposição dos resíduos”, afirma.

Esses passos são importantes para que no futuro a área possa ser reutilizada para outros empreendimentos, como área de lazer, parques ou praças. “Seria arriscado usar o espaço para residências ou shoppings, como se fez em São Paulo”, disse. No entanto, ele avalia que no caso do Shopping Center Norte, na capital paulista, houve um erro de cálcula na quantidade necessária de drenos para a saída do gás metano e por isso houve o acúmulo da substância.

Estabilidade

Pauletto destaca que a meta principal na desativação de um lixão é a estabilização química da área, como o controle da emissão de gases e outros poluentes derivados da decomposição da matéria orgânica. “Com a desativação de um depósito de lixo a céu aberto, é preciso uma série de medidas para conter a produção das toxinas decorrentes da decomposição do lixo, é preciso estabilizar biologicamente toda a massa de resíduos, e esse período de estabilização pode ser de até 15 anos depois que a deposição de lixo no local foi encerrada”.

Essa estabilização é feita com produtos químicos específicos e com terra. O primeiro passo é espalhar as montanhas de lixo até que a área fique plana e então jogar terra em cima. Há ainda que se fazer a compactação de todos os resíduos, “amassando” o lixo. “Um lixão não possui sistema de coleta de líquidos ou gases que surgem da decomposição do material, mas mecanismos para essa coleta têm que ser instalados assim que o espaço for desativado”.

O secretário de obras municipal, João Antônio De Marco disse que a intenção da prefeitura é realizar essa estabilização e implantar grama sobre a área, mas ainda não há qualquer destino para o espaço. “O monitoramento tem que ser feito, mas isso vai ficar para as próximas administrações municipais, que ainda vão definir para qual fim a área poderá ser usada no futuro”.

Fonte : Correio do Estado _LÚCIA MOREL 

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