Alterações no Plano de Mudanças Climáticas é foco de discussão entre agentes do setor e o governo

Países mais poluidores, como Estados Unidos e China, não se comprometeram com o Brasil e nem se manifestaram para reduzir emissões

O texto do Plano de Mudanças Climáticas, que impõe restrições às emissões de dióxido de carbono e em vigor desde 2010, é tema de discussão entre os agentes do setor elétrico brasileiro que se consideram prejudicados. Durante a apresentação do Plano Decenal de Energia aos senadores, promovida pelas comissões de Serviços de Infraestrutura (CI) e de Assuntos Econômicos (CAE),  associações do setor elétrico se mostraram contrárias em assumir os custos de reduzir em 20% a emissão do setor. O argumento foi que outros países, principalmente China e Estados Unidos, campeões em emissões, não se comprometeram como o Brasil e nem consideram a possibilidade de redução, apesar de a matriz brasileira ser composta por 45% de energia renovável.

O presidente da Associação Nacional dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mário Menel, disse que o Congresso Nacional precisa rever o posicionamento do Brasil no Plano. “Estamos aumentando o custo da energia brasileira, que já é uma das mais caras do mundo, ao invés de criar condições favoráveis para o crescimento da competitividade de nossas indústrias”.

Outro destaque, considerado pelas associações, diz respeito à necessidade de explorar as formas de energias disponíveis para atender ao crescimento da carga. Para elas, a energia termelétrica é indispensável para a segurança e a confiabilidade do sistema energético nacional.

Por parte de governo, os representantes também afirmaram que o país precisa das termoelétricas. “Num ano o vento não vai soprar, a chuva vai faltar e a safra de biocana pode não acontecer”, considerou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

As diretrizes do plano decenal seguem as determinações do PNMC, que impõe restrições às emissões de dióxido de carbono. Este, aliás, é um dos principais problemas atribuído às usinas termelétricas a carvão e petróleo. Com isso, o PNMC estabelece como vetor da expansão de energia a produção a partir de biomassa e outras fontes renováveis.

Este ano, o País teve uma oferta total de 181 mil MW de energia – deste total, 55 MW são de termelétricas das diversas fontes: petróleo, gás, carvão e energia nuclear. De acordo com Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento do Ministério de Minas e Energia, essa é uma participação importante e que corresponde ao “espaço” de geração termelétrica assegurado no plano.

Fonte : Jornal da Energia

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